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domingo, maio 03, 2015

Oito indústrias de SP têm o dobro da água de toda a cidade de Campinas

Um grupo de apenas oito indústrias do interior paulista tem autorização para captar dos rios uma quantidade de água duas vezes maior que a da cidade de Campinas (a 93 km de SP), com 1,1 milhão de habitantes.
Editoria de Arte/Folhapress

As empresas lideram a lista das maiores licenças de captação de água na bacia do sistema Cantareira, a mais afetada pela atual crise hídrica no interior São Paulo.

Em alguns casos, o uso da água por essas companhias, combinado com chuvas abaixo da média, causa impacto no abastecimento da população. A região tem pequenos municípios em rodízio de água há um ano.

Diante da atual crise, o governo Geraldo Alckmin (PSDB) estuda mudar as regras de concessão da água para evitar que o atendimento à indústria afete moradores. Atualmente, a legislação prevê que o abastecimento humano deve ter prioridade sobre outros setores, como o industrial, a agricultura e a produção de energia, mas, para especialistas e integrantes do governo, a regra não é suficiente em condições climáticas extremas.

"O abastecimento público é prioritário, mas e entre todos os outros usos? Quem sai da fila entre a indústria, a agricultura e o setor elétrico? Nosso sistema de outorga não responde a isso", disse em evento público em março Mônica Porto, secretária-adjunta de Recursos Hídricos. Um dos primeiros avanços na discussão ocorreu em janeiro, quando a ANA e o DAEE (agências reguladoras federal e estadual, respectivamente) determinaram que as licenças de captação para cidades, indústrias e agricultura seriam reduzidas caso os rios estivessem abaixo de determinado nível.

Para o professor Antônio Carlos Zuffo, da Unicamp, uma alternativa com menor impacto na economia seria a criação de um "mercado de água", em que indústrias de diferentes setores pudessem negociar entre si o direito de uso do recurso.

PARALISAÇÃO

Entre as líderes de captação de água na região estão a multinacional do setor químico Rhodia, a Petrobras e a Suzano Papel e Celulose. Elas fazem parte de uma lista de 580 indústrias autorizadas a captar água diretamente da bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí -onde está inserido também o sistema Cantareira, que abastece a Grande São Paulo. Algumas, como a Rhodia, tiveram unidades paralisadas no ano passado em razão da crise da água.


Com as informações Folha de São Paulo.

sexta-feira, fevereiro 20, 2015

Chove mas os reservatórios do Sistema Cantareira não estão enchendo.



Em Camanducaia em Minas Gerais. A 1,6 mil metros de altitude, quase no topo da Serra da Mantiqueira, parte das nascentes que formam o Rio Jaguari em Camanducaia, no sul de Minas, renasceu com as chuvas dos últimos 30 dias. A água que voltou a brotar na montanha anima os moradores da região, mas ainda não tem volume nem força para percorrer 100 quilômetros e encher os reservatórios do Sistema Cantareira em Bragança Paulista e Joanópolis, em São Paulo. Com as informações Jornal Estadão.

As represas que representam 82% do manancial recebem 60% menos água do que antes da crise e agonizam no volume morto. Principal afluente do Cantareira, que abastece hoje cerca de 12 milhões de pessoas na Grande São Paulo e na região de Campinas, o Rio Jaguari virou um pequeno córrego com menos de 50 centímetros de profundidade durante a estiagem do ano passado. Muitas nascentes que formam o rio nos municípios mineiros de Extrema, Camanducaia e São Bento do Sapucaí desapareceram no início de 2014, quando oEstado esteve na região. Aos poucos, esses cursos d’água estão renascendo, o que já elevou para 1,5 metro o Jaguari na semana passada, o que não acontecia desde dezembro de 2013.

Em Extrema, na divisa entre Minas e São Paulo, cachoeiras que tinham virado pedra voltaram a ter quedas e piscinas naturais. “O rio sobe bem quando chove aqui no alto da serra, mas logo baixa. A terra está muito seca, ela chupa toda a água”, relata Clemilson Aparecido Fernandes, de 32 anos, que trabalha na Fazenda Campo Verde, onde estão algumas nascentes do Jaguari, no limite do município com São Bento do Sapucaí.



O secretário de Meio Ambiente de Extrema, Paulo Henrique Pereira, conta que esse efeito esponja do solo, agravado pela longa seca na região, ainda impede que as chuvas se revertam em vazões significativas de água para São Paulo. “Normalmente, as chuvas de dezembro e janeiro encharcam o solo, e as de fevereiro e março escorrem e enchem os reservatórios. Elas voltaram, mas ainda muito abaixo do esperado, apenas recuperando as nascentes. Esse processo todo é lento”, afirma.

Ânimo. Aricultores, meteorologistas, pescadores e donos de pousada na região do sul de Minas estão animados com a volta dos riachos e das nascentes do Jaguari. Mas todos são unânimes ao dizer que a chuva deste ano ainda não será suficiente. “Está melhor, já dá para pegar uns bagrinhos de novo. Até o Natal, o rio era só pedra. Dava para atravessar de bota sem se molhar”, conta o pescador Leonor Moreira Alves, 59 anos vividos às margens do rio.

Hilton Silveira, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp, explica que as águas das nascentes que estão ressurgindo apenas recompõem o solo neste momento. “Ela não serve para encher o rio de novo. Se chover dentro da média, vai demorar 5 anos para o Jaguari voltar ao normal”, diz o meteorologista.

Neste mês, a vazão média do rio na chegada ao Cantareira é de apenas 6 mil litros por segundo, ante 16 mil litros nesta mesma época em 2013, antes da crise, declarada oficialmente pelo governo em janeiro do ano passado. Enquanto isso, 17 mil litros por segundo saem do sistema. Em janeiro de 2010, por exemplo, quando os reservatórios transbordaram, o Jaguari chegou a registrar 140 mil litros por segundo.



Veja a reportagem completa no vídeo a baixo.


domingo, janeiro 25, 2015

Como é que um país que produz 12% da água doce do mundo tem falta d'água crônica desse recurso mais essencial?


Na maior cidade do Brasil, a sempre crescente demanda por água levou a uma seca punição a população. O reservatório principal que alimenta esta imensa cidade ainda está perigosamente baixo, e que levaria meses de pesada e intensa chuva, para que os níveis de água voltarem a qualquer coisa como normal.


Então como é que um país que produz um número estimado de 12% da água doce do mundo acabar com uma falta crônica desse recurso mais essencial para a vida em sua maior e economicamente mais importante cidade? É interessante notar que tanto o governo estadual e o governo federal desde o ano passado têm sido lenientes em reconhecer que há uma crise, apesar da esmagadora evidência do contrário. Isso pode ter sido uma posição politicamente conveniente para tomar durante a recente campanha eleitoral, quando a escassez de água em São Paulo era uma questão política delicada, mas a aparente falta de urgência na cidade e estado mais rico agora está preocupando muitos.

No Cantareira reservatório que alimenta a maior parte da demanda insaciável desta cidade por água, o 
reservatório já quase alcançou o fundo do poço. Tubos enormes para sugar a água que permanece no fundo do reservatório abaixo de 5% da sua capacidade normal. O morador local, anda e vagueia ao redor do leito seco do lago esperando por um golpe de sorte temporária como peixe nas poucas piscinas que resistem.


Recentemente a ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira, disse que os três estados mais populosos do país estão enfrentando sua pior seca desde 1930. Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais devem economizar água, ela disse depois de uma reunião de emergência na capital Brasília.

A ministra descreveu a crise da água como "delicada" e "preocupante". É esperado que a indústria e agricultura sejam afetados, prejudicando ainda mais economia conturbada do Brasil. A seca também está tendo um impacto sobre o abastecimento de energia, com a geração de reduzida a partir de hidrelétricas.

'Pobre planejamento'

O correspondente da BBC Julia Carneiro, no Rio de Janeiro diz que o Brasil está supostamente no meio da temporada de chuvas, mas houve pouca chuva no Sudeste e a seca não mostra sinais de diminuir. A crise vem em um momento de alta demanda por energia, com as temperaturas altas nos meses de verão.

"Desde que os registros para a região sudeste do Brasil começou há 84 anos, nunca vi uma situação tão delicada e preocupante", disse a Ministra.

Seus comentários foram feitos no final de uma reunião com cinco outros ministros no Palácio do Planalto, em Brasília, para discutir a seca. A ministra do Meio Ambiente diz que o governo vai promover campanhas de sensibilização nas áreas afetadas pela seca, Sistema de reservatório principal de São Paulo,

A crise começou em São Paulo, onde centenas de milhares de moradores foram afetados pelos cortes frequentes no abastecimento de água, diz o correspondente. O sistema do Cantareira que atende a mais de oito milhões de pessoas, agora caiu para 5,2% e apesar da chuva recente. A p
recipitação acumulada na área da Cantareira é dito que é apenas 33,5% do previsto para o mês, fonte: site de notícias G1.


O estado de São Paulo sofreu graves problemas de seca semelhantes no ano passado.

Governador Geraldo Alckmin tem tomado medidas, como aumentar as suas tarifas para níveis de alto consumo, oferecendo descontos para quem reduzir o uso, e limitar as quantidades capturadas por indústrias e agricultura de rios. Mas os críticos culpam o mau planejamento e a politicagem para o agravamento da situação.

Os opositores políticos dizem que as autoridades estaduais não conseguiram responder de forma rápida o suficiente para a crise porque o Sr. Alckmin não quis alarmar as pessoas como ele estava buscando a reeleição em outubro de 2014, alegações de que ele o governador obviamente contesta.

No estado do Rio de Janeiro, o principal reservatório de água caiu para o nível zero pela primeira vez desde que foi construído. Secretaria do Meio Ambiente Andre Correa reconheceu que o estado estava experimentando "a pior crise da água em sua história". Mas ele disse que não havia água suficiente em outros reservatórios para evitar racionamento no Rio de Janeiro por pelo menos mais seis meses. Correa descreveu a situação em São Paulo como "infinitamente pior". No entanto, Rio e Minas Gerais estão pedindo moradores e indústrias para reduzir o consumo de água em até 30%.

Fonte: BBC NEWS

quinta-feira, janeiro 22, 2015

Aprenda a fazer uma cisterna e reaproveite a água da chuva.


Cisternas não são itens altamente tecnológicos possui eficiência comprovada de longa data. O sistema simples permite que água da chuva seja capturada e armazenada para o uso posterior. Ele já é bastante comum no nordeste do Brasil e em locais que sofrem com estiagem durante a maior parte do ano. Diante da crise hídrica no sudeste está é uma excelente opção para sobreviver a crise no abastecimento. São Paulo poderá entra em racionamento de cinco dias sem água e apenas dois dias com água na torneira.

O movimento Cisterna Já. Grupo formado por cidadãos 
independentes e preocupados com a preservação dos recursos hídricos, disponibiliza a qualquer pessoa acesso a dicas on-line sobre como produzir uma cisterna simples em casa. O sistema é muito simples e prático. Ao invés de deixar a água da chuva simplesmente ir embora, é possível conectar a cisterna à calha e aproveitar centenas de litros de água. O RECURSO NÃO É POTÁVEL, mas pode ser usado para a limpeza, rega de plantas, descarga, entre outras coisas, permitindo uma gigantesca economia de água.

Veja as dicas do grupo de como é fácil fazer uma cisterna. 





 Fonte: Sempre Sustentável

sábado, janeiro 17, 2015

Código Florestal de SP é atacado por especialistas.

Em meio à pior crise hídrica da história, deputados da base do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), na Assembleia Legislativa tentam aprovar um projeto que, para integrantes do próprio governo, "trará prejuízos irreversíveis à proteção e conservação da água, da fauna e da flora" do Estado.

De autoria do deputado Barros Munhoz (PSDB), líder do governo na Assembleia, e de outros cinco parlamentares governistas, o projeto que regulamenta o Código Florestal de 2012 em São Paulo permite, entre outros pontos, que a compensação ambiental de áreas desmatadas em São Paulo seja feita em outros Estados. O projeto estabelece o Programa de Regularização Ambiental. De acordo com especialistas em ecologia e conservação da biodiversidade, o projeto foi elaborado sem consulta científica.

Segundo o professor da Unicamp e coordenador do programa Biota-Fapesp, Carlos Joly, a proposta é uma aplicação direta do novo Código Florestal, que reduz extremamente as áreas de proteção permanente, além de liberar vegetação exótica para restauração de florestas. "Desse ponto de vista, é um desastre."

Para outros especialistas, São Paulo está próximo de desperdiçar a melhor chance de estabelecer um instrumento legal para reverter a devastação de seus principais biomas, como explica Ricardo Ribeiro Rodrigues, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo. "É um desperdício, uma vez que São Paulo é o Estado que teria melhores condições de fazer uma lei que corrigisse as distorções do Código Florestal", afirma.

Ele critica, por exemplo, a possibilidade de compensação ambiental de áreas desmatadas fora do Estado. "Quem derrubar florestas em São Paulo poderá compensar o desmate em outros lugares. É claro que isso será feito em áreas onde a terra custa menos, como no Nordeste. São Paulo ficará com a degradação - e suas consequências - e outros Estados terão o benefício da compensação."

Água

Para o diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, o projeto "regulariza o desmatamento, diminui as Áreas de Preservação Permanente (APPs) e as matas ciliares em São Paulo, acentuando a grave situação dos mananciais paulistas", como o Sistema Cantareira. "Além de promover a exportação da reserva Legal, o projeto tira a proteção das margens dos rios paulistas, o que é um contrassenso diante da crise pela qual passamos", afirma. A ONG organizou um protesto nesta terça-feira, 09, na Assembleia para tentar impedir a aprovação do projeto.

Mesmo sem acordo com outros líderes, Barros Munhoz disse que aprovaria ainda ontem a proposta - o que não havia acontecido até as 21h. A proposta não tem consenso nem entre os governistas, e foi rechaçada em e-mail enviado por um assessor da Secretaria do Meio Ambiente a líderes partidários, no dia 3. Ontem, o secretário Rubens Rizek negou, porém, que esta seja a posição oficial da secretaria.

Para Barros Munhoz, a proposta defende pequenos agricultores paulistas. "Esses agricultores precisam dessa regulamentação para não ficarem à mercê de promotores e dos fiscais da Cetesb (Companhia Ambiental de São Paulo), que, graças a Deus, são poucos", afirmou o tucano. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

2014 foi o ano mais quente registrado na história.

A Agência Oceânica e Atmosférica (NOAA), dos Estados Unidos, confirmou nesta sexta-feira, 16, que 2014 foi o ano mais quente desde que as temperaturas globais começaram a ser registradas, em 1880. O recorde anterior, considerando as médias globais de temperatura sobre os oceanos e os continentes, havia sido registrado em 2010.  A Nasa, a agência espacial norte-americana, produziu uma análise independente com base nos mesmos dados e também concluiu que 2014 foi o ano mais quente já registrado, em comparação ao período que vai de 1951 a 1980. Segundo a NOAA, os dez anos mais quentes já registrados desde 1880 ocorreram entre 1998 e 2014, o que fortaleceria a tese de que o aquecimento global é consequência de emissões humanas de gases de efeito estufa. O relatório também indica que as temperaturas médias de dezembro de 2014 foram as mais altas já registradas para o mês no mundo.


As temperaturas globais medidas ao longo de 135 anos indicam, segundo a NOAA, uma tendência de aquecimento global de longo prazo. Desde 1976, as médias anuais de temperatura têm sido maiores do que a média geral do século 20. Em 2014, a temperatura média global sobre os oceanos e continentes foi 0,69°C mais alta do que a média do século 20. A marca, sem precedentes, superou os recordes registrados em 2005 e 2010, quando a temperatura média superou em 0,04°C as médias do século 20. Considerando apenas a superfície dos continentes, a média global em 2014 foi 1°C mais alta do que as médias do século 20 - a quarta mais alta desde 1880. Ao analisar somente a superfície dos oceanos, a temperatura média global em 2014 foi 0,57°C mais alta que as médias do século 20. É a maior marca já atingida, ultrapassando os recordes registrados em 1998 e 2003, que superaram a média do século 20 em 0,05°C.


Segundo a NOAA, com o contínuo aquecimento, os recordes de calor registrados em 1998 agora são ultrapassados a cada quatro ou cinco anos. Alerta. Segundo o secretário-geral da ONG brasileira Observatório do Clima, Carlos Rittl, o recorde de temperatura de 2014 deve ser entendido como mais um alerta para a urgência que as alterações climáticas globais representam. “Esse recorde confirma o que já se sabia: as mudanças climáticas são o maior desafio da humanidade neste século. Não é algo que podemos deixar para depois. Esses dados são um chamado à ação e à responsabilidade, envolvendo todas as nações. É urgente que os países deem uma resposta à altura e cheguem a um acordo robusto e ousado de corte de emissões.”  Segundo Rittl, a tendência de aumento da temperatura não deixa mais espaço para o ceticismo em relação às mudanças climáticas. “A urgência é muito grande e não há mais tempo para dar ouvidos a quem nega o óbvio. A ciência mostra que o problema é grave e tende a piorar. É hora de parar de discutir e começar a agir.” Mais emissões. De acordo com André Nahur, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, os dados da NOAA e os relatórios do Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC) mostram uma curva ascendente das médias de temperatura nos últimos anos. “O aquecimento global é uma realidade que já está confirmada e já interfere no nosso cotidiano. Esses relatórios mostram que a tendência é que a temperatura aumente cada vez mais nos próximos anos.” Segundo ele, “o avanço das emissões e das temperaturas já tem impactos na disponibilidade hídrica, como se tem visto em São Paulo, na produção de alimentos, na biodiversidade e em muitos outros setores”.

Com as informações: Jornal O estado de São Paulo.