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domingo, abril 12, 2015

Crise da água empurra Brasil em direção à energia solar




A seca devastadora que afeta o Brasil pode ter a consequência inesperada de, finalmente, fazer um dos países mais ensolarados do mundo levar a energia solar a sério. A combinação de uma crise energética iminente provocada pelos níveis baixos dos reservatórios com a nomeação de um ministro de energia com mente mais aberta promete uma rápida mudança na situação.

A seca, que produziu a crise no abastecimento de água, tem baixado dramaticamente os níveis dos reservatórios que abastecem dezenas de usinas hidrelétricas nas regiões sudeste e centro-oeste do Brasil, área mais populosa e importante para a economia do país. 
Como logo mais começa o período de seca de sete meses, quando a chuva é tradicionalmente escassa, os reservatórios da região afetada pela seca podem baixar para menos de 10% da sua capacidade, o que o novo chefe do Ministério de Minas e Energia (MME), Eduardo Braga, admite ser “catastrófico” para a segurança energética.

Isto significa que planos para introduzir a energia solar na matriz energética estão finalmente sendo considerados na busca de alternativas à geração hidrelétrica, na qual o país se baseia para produzir mais de 70% de sua eletricidade. A contribuição da energia eólica produzida no Nordeste e no Sul, começou a crescer, mas a energia solar, apelidada de “uma fantasia” pela presidente Dilma Rousseff há apenas alguns anos atrás, tem sido ignorada.

No entanto, Braga anunciou planos para transformar dezenas de usinas hidrelétricas — que correm o risco de se tornar elefantes brancos com a diminuição de suas águas — em fazendas de energia solar. Segundo os planos, milhares de painéis solares flutuando sobre bóias seriam lançados sobre a superfície dos reservatórios em baixa para aproveitar a energia do sol.

Técnicos do MME calcularam que poderiam adicionar até 15 mil megawatts (MW) de potência, o que é mais do que a capacidade máxima de duas das mais recentes mega-hidrelétricas que o país está construindo na Amazônia: Jirau, no rio Madeira, e o polêmico projeto de Belo Monte, no Xingu. Os painéis solares teriam a vantagem adicional de reduzir a evaporação da água, enquanto, ao mesmo tempo são arrefecidos por esta, o que aumenta a eficiência de conversão da energia solar em energia elétrica.

Os projetos-piloto estão prestes a serem iniciados em duas barragens de propriedade de empresas estatais: Sobradinho, no rio São Francisco, Bahia, e Balbina, no rio Uatumã, Amazonas. Se forem bem sucedidos, os painéis solares serão introduzidos nas barragens das regiões oeste, sudeste e centro.

O Brasil não será o primeiro país a experimentar gerar energia solar em painéis flutuantes. A Austrália está testando isso sobre superfície de uma instalação de tratamento de águas residuais em Jamestown, South Australia. Lá a energia solar vai alimentar a própria planta de tratamento de águas. E no Japão, o governo da província de Chiba, a leste de Tóquio, anunciou em janeiro passado que vai construir uma usina solar flutuante no reservatório de Yamakura, que terá uma área de 180 mil metros quadrados e gerará energia elétrica para 5.000 famílias.

Para acelerar a entrada em produção de novas usinas solares Braga tem prometido incentivos fiscais para a produção de painéis fotovoltaicos e planeja introduzir novas regras para incentivar o uso destes painéis em edifícios com grandes áreas de cobertura.

Mais dois leilões de energia solar devem ser realizados este ano. No primeiro leilão deste tipo, realizado no final do ano passado, 31 usinas de energia solar foram escolhidas para fornecer uma capacidade total de 1.048 MW em 2017. O preço foi um pouco menor que US$ 90 por MW — entre os mais baixos do mundo.

No momento, a potência instalada de geração de energia solar no Brasil é da ordem de pífios 15MW, em grande parte instalados nos telhados dos estádios de futebol construídos para a Copa do Mundo de 2014. Porém o potencial brasileiro de geração de energia solar, de acordo com alguns analistas, é equivalente a 20 vezes a atual capacidade total instalada de geração de energia elétrica.

Os fatores que contribuíram para o baixo custo da energia solar neste último leilão são a forte radiação solar incidente na maioria do território brasileiro e o fato de muitos dos parques solares participantes do leilão serem projetados para as mesmas áreas dos atuais parques eólicos, reduzindo assim o custo de aquisição de terreno e de implantação de novas linhas de transmissão.

Os contratos de 20 anos para o abastecimento de energia envolvem investimentos da ordem de US$ 1,67 bilhões, e muitas empresas estrangeiras já estão se acotovelando para conseguir um lugar ao sol no Brasil, no que promete ser um mercado em rápida expansão dentro de alguns anos.

Empresas espanholas, canadenses, americanas, italianas e chinesas já colocaram um pé na porta. E, logo que o governo e o BNDES apresentarem as prometidas isenções e linhas de financiamento, o setor de energia solar pode decolar.

Enquanto espera para ver se o experimento solar sobre os reservatórios funciona, o governo torce para que o consumo de energia seja reduzido por meio de campanhas publicitárias e aumentos de preço. A desaceleração da economia, com pouco ou nenhum crescimento esperado para este ano, também deve ajudar, assim como o aumento da utilização de termelétricas, alimentadas por gás natural, carvão mineral e óleo diesel, que aumentaram sua contribuição à rede nacional em 20%.

Estas termelétricas têm operação cara, usam combustíveis fósseis e, portanto, emitem carbono à atmosfera. Devem ser ser remetidas à história quando a energia solar incorporar-se definitivamente à matriz energética brasileira.


Por Climate News Network; traduzido e adaptado por Delcio Rodrigues.

domingo, março 22, 2015

Que tal se hospedar de graça por todo o mundo trabalhando com a natureza?





Que tal se hospedar de graça por todo o mundo, ter três refeições por dia, aprender mais sobre cultivos orgânicos, em troca de trabalhar meio período em contato com a natureza? A proposta é do site World Wide Opportunities on Organic Farms (WWOOF), em português, Rede Mundial de Oportunidades em Fazendas Orgânicas.

É uma forma incrível de conhecer o mundo, partilhar experiências, participar realmente na rotina do lugar e, claro, viajar a baixo custo. Com o seu meio período de trabalho, você está ajudando o dono da fazenda e está aprendendo, conhecendo a forma de produção de alimentos orgânicos e praticando uma variante de turismo sustentável. Num tempo em que muitas pessoas estão frustradas em suas carreiras, vivendo na loucura de grandes cidades, essa pode ser uma alternativa para quem busca um tempo para refletir e se desconectar um pouco da correria dos nossos dias.

O projeto nasceu bem antes da Internet, na década de 70, mas tem conhecido uma grande expansão, sendo hoje uma rede internacional com mais de 50 países envolvidos e milhares de propriedades inscritas para receber voluntários. O processo é bem simples – você se inscreve no site, pagando uma anuidade, e escolhe a fazenda que mais se adequa às suas capacidades. Depois é só entrar em contato com os proprietários e seguir viagem.



sexta-feira, março 13, 2015

Contra crise,governo de São Paulo quer tratar água do rio Pinheiros.

Traçado natural do rio Pinheiros em relação ao traçado atual.
O governo paulista pretende tratar a água suja do rio Pinheiros para aproveitá-la no abastecimento da população. A declaração foi feita pelo secretário de Recursos Hídricos, Benedito Braga, nesta segunda (9), ao programa "Roda Viva", da TV Cultura. O tratamento seria feito no próprio curso do rio, entre as usinas de Traição e Pedreira, no limite com a represa Billings, zona sul de São Paulo.

Segundo ele, a ideia é retomar um projeto que já consumiu R$ 160 milhões e foi abandonado duas vezes, em 2003 e em 2011 –nos dois casos, em gestões do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Após dez anos de investimentos do Estado e da Petrobras (R$ 80 milhões de cada), o projeto não conseguiu limpar de maneira satisfatória a água do Pinheiros. Testes apontaram que ele não eliminava o nitrogênio amoniacal, que permite a proliferação de algas que podem liberar toxinas nocivas à saúde.

Uma grande quantidade de lodo gerada no processo está estocada até hoje em uma área próxima da Billings. A remoção só começou em junho. O processo busca, por meio de produtos químicos, agrupar a sujeira em flocos. Depois, bolhas de oxigênio são injetadas no fundo do rio, fazendo a sujeira subir até a superfície para que possa ser retirada.

O secretário afirma que, atualmente, existem processos mais modernos de flotação, capazes de retirar esses resíduos do rio. Segundo Braga, a ideia é lançar a água na represa e captar essa mistura, que seria tratada como a água de um rio qualquer. "A Sabesp está em discussão com o empreendedor que fez o teste [em 2011] para retomar esse processo. Há novas tecnologias e temos esperança de deixar o reservatório Billings bonitinho", disse.

Para Eduardo Cleto Pires, professor da USP de São Carlos especializado em tratamento de água, o risco é o de espalhar os resíduos do rio Pinheiros por outros mananciais da Grande São Paulo. "A medida só está sendo tomada para o abastecimento humano porque estamos em um momento de crise. O problema é que isso se torne permanente, mesmo depois dessa crise", disse ele.

Com as informações: Folha de São Paulo.

Os rios de São Paulo.


Notícias da crise de água de São Paulo tem, até agora, se espalhado. Mas, embora a palavra "seca" esteja muito em uso, e apesar da grave falta de chuva ser um dos muitos fatores em jogo, quando se trata de escassez real de água, a verdade é como acontece com quase tudo nesta metrópole é complicado mesmo.

Há uma riqueza de água em São Paulo: a chuva de fim de tarde que banha a cidade quase todos os dias no verão tem sido muito rara nestes dois últimos anos; Recentemente durante uma tempestade torrencial em que caiu a metade da chuva esperada para todo o mês de fevereiro caiu no espaço de apenas algumas horas.


Quando a tempestade atingiu o centro de São Paulo, o terminal de ônibus na Praça Pedro Lessa, no Vale do Anhangabaú, foi rapidamente inundada. Tristeza para alguns usuários dos ônibus  olhando melancolicamente das janelas, a velocidade da enxurrada na superfície  impermeável toda concretada da capital impulsiona canais perigosos, níveis de movimento rápido, que causam enchentes e deslizamentos de terra, mesmo em alguns bairros, assim como milhões habitantes tem que lidar com as inundações e ao mesmo tempo com o limitado abastecimento de água que atinge os moradores.

Água, 
é sem surpresa um tema de discussão incessante entre os moradores, e fonte de considerável da ansiedade coletiva. E, para alguns, incluindo um punhado de bem informadas amadores observadores de água, tornou-se uma obsessão que alteram a vida. Em aventuras que narra em sua página no Facebook, EXISTE Água em SP ("Não há água em SP"), o caçador rio Adriano Sampaio é um expedicionário urbano, andando incansável pela cidade em busca de rios e nascentes perdidos, e postar um fluxo constante de vídeos para a sua página. Ele e seu amigo Ramon Bonzi, urbanista, usam mapas de 1930 colocados sobre mapas das ruas de São Paulo para rastrear rios escondidos e esquecidos, espiando por cima paredes, levantando as tampas de esgoto e escalando sobre o mato em busca de rios, córregos e nascentes. "Nós sempre encontramos alguma coisa", diz Sampaio. 

Em um post recente filmado no bairro operário de Cidade Antonio Estevão de Carvalho, ele mostra moradores pescam em um lago criado pela comunidade, e relatórios sobre fluxos de mato, negligenciada e no esgoto bruto infiltrar nos cursos de água, "em linha reta a partir do sistema de esgoto público".  Em uma expedição de Pirituba, no norte da cidade, Sampaio bebeu de uma fonte usada pela comunidade para obter água potável, e tornou-se tão mal que ele acabou no hospital. "É vital que as diferentes nascentes e fontes de água ao redor da cidade sejam testados e classificadas para que as pessoas saibam o que usar cada fonte pode seguramente ser colocado para" diz ele.

São Paulo tem cerca de 300 cursos de água com o nome, diz Campos, e provavelmente mais perto de 500 no total. Um mapa coletivo usado pelos Rios e Ruas mostra a cidade parecendo um órgão vital, envolto em um web azul de vias - uma rede de rios e córregos em sua maioria enterrados num total de mais de 3.000 km. "Há uma abundância de água em São Paulo", diz de Campos. "É apenas muito mal gerido". Sampaio, ao longo da vida uma amante da natureza, foi inspirada primeiro a ação em 2013, depois de uma descoberta da possibilidade que ele fez durante a caminhada em um pequeno parque, Praça Homero Silva, perto de onde ele cresceu no bairro da Pompéia. "Eu percebi que o chão estava enlameado, e eu comecei a cavar", lembra ele.

Em poucos minutos, a água começou a escorrer da terra. Sampaio cavou outro buraco e a água brotou do chão, ele era viciado. Definindo a trabalhar para canalizar a água das várias nascentes que ele descobriu no parque, ele silenciosamente criou uma pequena lagoa, sem permissão, na parte inferior do parque; e em julho de 2014, com a ajuda de amigos e simpatizantes, uma segunda lagoa, ao lado do primeiro. "Nós só usamos materiais que encontramos na área", diz ele.

As lagoas que eles escavaram levaram vários meses para encher, mas hoje, estão cheios de vida da planta e em torno da água, e repleto de peixes - cerca de 10 espécies introduzidas por Sampaio, incluindo tilápia gordura e carpa, peixe cascudo, peixe Vidro, paulistinha, Espadinha e minúsculo Guarú este último é excelente para comer mosquitos e suas larvas, e, assim, combater a propagação da dengue, que está em ascensão na cidade como um resultado de milhões de litros de água acumulados. As lagoas de atrair todos os tipos de pássaros, e eles também atrair as pessoas: "As pessoas estavam com um pouco de medo de vir ao parque antes", diz Sampaio.


Abundância de água do parque não é nenhuma surpresa para os seus vizinhos, muitos dos quais tiveram molas em seus quintais para as gerações. Em uma casa simples, cuja parede traseira faz fronteira com o parque, a poucos metros dos tanques de peixes, Eli Maria Jose Salis e sua família têm desfrutado de um fornecimento constante de água de nascente, executar a partir do parque em uma tubulação que leva a um segundo tanque de água, por mais de 30 anos.

O que será que eles precisam para completar o abastecimento de água que recebem da SABESP conselho de água privatizada da cidade? "Não, nós vemos que há abundância de água na cidade", diz Salis. "É que nós temos toda esta água, e não seria certo desperdiçá-la." A SABESP, no entanto, perde mais de 30% da água potável tratada em sua rede de distribuição, como resultado de vazamento massivo de tubos deteriorados, bem como o roubo em ligações clandestinas.

O grup EXISTE Água em SP e Rios e Ruas, também está em busca de mais rios. Em uma série de urgentes "mega-projetos" destinadas a driblar a escassez de abastecimento de água de São Paulo, o governo está trabalhando em um projeto para reverter o curso do Rio São Lourenço, e para desviar milhões de litros de água dos rios Paraíba do Sul, guaio, Juquiá e Itatinga, canalizando a água para a cidade de sistemas de reservatórios do Alto Tietê e Cantareira de São Paulo. Governador do estado, Geraldo Alckmin está esperando que as medidas irão banir o espectro de um racionamento draconiano de cinco dias sem água e 
dois dias com água, que ainda se os reservatórios não tiverem recuperado o suficiente até o início da estação seca, em Abril deste ano.

"As autoridades só parecem capazes de conceber obras de construção maciça, custando bilhões", diz Sampaio. "Mas eles não estão ainda garantidos para o trabalho - muitos desses rios estão com níveis 
extremamente baixo de água." Sampaio desistiu do seu emprego como vendedor de seguros no ano passado, depois de 20 anos, para se dedicar ao ativismo ambiental em tempo integral. Como estamos em um pedaço de terreno baldio acima do parque, tendo em vista através de Pompéia, ele expõe sobre a necessidade urgente de reflorestamento, e sobre o tema da "parques lineares" ao longo de rios e córregos, que criam lagos, lagoas e órgãos da água capaz de reter as águas pluviais e de águas pluviais, bem como lugares para as pessoas a sentar, caminhar e pedalar em paz.


Água escorrendo de lençol freático na rua Augusta em 1970
"Eu quero ajudar a lembrar às pessoas de que rios e córregos são, o que são as molas", diz ele. "Nós parecemos ter esquecido que somos parte da natureza", diz ele, "mas o fato é que estamos cercados por ela, mesmo quando não podemos vê-la." Não faz sentido deixar que água útil simplesmente escorrer rua abaixo, diz ele. Não deve ser uma questão difícil, para que a cidade que começa a classificar, armazenar e usar um pouco de sua água subterrânea, mesmo que não seja para beber, mas para centenas de outros usos. Por agora, muitas pessoas estão levando o assunto em suas próprias mãos, e fazendo uso do que a água que podem.

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A tabela água transbordando em que São Paulo se senta faz sua existência planície nas sarjetas de inúmeras ruas da cidade, jorrando para baixo canais tão bem atravessadas que alguns dos lancis são verde brilhante, com musgo. A uma taxa de até 5.000 litros por hora, a água clara, a maioria de qualidade razoável, é incessantemente bombeado desde as entranhas de edifícios cujas fundações foram perfurados a tabela de água, muitas vezes como resultado de parques de estacionamento subterrâneos.

Com a escassez agora em pleno vigor, alguns dos que a água agora está sendo capturado por particulares e moradores para o uso em não potável para regar plantas, roupas, quintal, descargas e lavar carros. A maioria, no entanto, é canalizada diretamente para o sistema de águas residuais, onde se mistura com o esgoto antes de encontrar o seu caminho para o Pinheiros e o Tietê - dois interconectados, rios seriamente poluídos, que infelizmente escapam pela cidade, preso entre 12 faixas de tráfego nas Marginais.

O Pinheiros, uma vez que uma exuberante curva, classicamente planícies serpentina rio, foi canalizado para longos trechos retos desde os anos 1940, e até hoje, recebe as descargas de esgoto bruto em vários pontos ao longo do seu lento, trajetória fétido - incluindo, de acordo com De Campos , a partir do chique shopping center Cidade Jardim. Não há previsão, diz ele, para o tratamento de águas residuais ao longo de todo esse trecho da margem esquerda do rio.

"As pessoas gostam de lamentar que os rios estão poluídos, como se fosse um fato consumado", diz ele. "Mas não é assim que funciona. . O problema é que nós estamos poluindo-los agora "De acordo com Campos, a limpeza das vias, incluindo as moribundas Marginais Pinheiros e Tietê, é muito mais simples do que parece: parar de poluir-los, começando pelos córregos. "Os rios são mais do que capazes de se auto limpar", diz ele, "se nós apenas dar-lhes a oportunidade."




Treduzido da publicação original em: The Guardian

quinta-feira, fevereiro 26, 2015

Seca na Califórnia estimula vida em Ecovilas

Num bairro de San Mateo, na Califórnia, duas casas conjugadas se distinguem das vizinhas. Nelas, em vez dos tradicionais gramados das casas de subúrbio americano, há hortas e pomares que alimentam as dez famílias que ali vivem. Nos fundos do complexo, flores e frutos atraem pássaros e abelhas, que se agrupam numa colmeia à beira de uma lagoa salobra. É inverno e as águas da lagoa estão baixas, como estão baixos os reservatórios da Califórnia após três anos de seca. Mas para Sanda Everette, fundadora da comunidade, os tempos são de abundância.
"Hoje posso passar o ano inteiro sem ter de comprar qualquer produto agrícola", diz a professora aposentada, rodeada por ameixeiras carregadas e pés de dezenas de variedades de verduras e legumes. Faz quase vinte anos que Everette e seu marido, Brian, se instalaram ali, inspirados pelos ideais da Contracultura dos anos 1960. Queriam viver numa comunidade, trabalhar a terra, tomar decisões em conjunto. Rejeitavam o consumismo do "sonho americano" e temiam seus efeitos no equilíbrio ecológico do planeta.

Com o tempo, outras famílias que partilhavam dos valores foram chegando. A comunidade cresceu, e a Ecovila San Mateo, como acabou batizada, tornou-se um modelo para ambientalistas e moradores que buscavam um estilo de vida mais sustentável e natural nos arredores de San Francisco. Quando a seca na Califórnia alertou os moradores sobre a necessidade de poupar água e reavivou um debate sobre os padrões de consumo dos americanos, Everette sentiu que tinha algo a compartilhar.

A começar por suas formas de economizar água no banheiro. "Nos anos 1970, tínhamos um ditado que dizia: se é amarelado, deixe acumulado; se é marrom, aperte o botão" (Em inglês, "If it's yellow, let it mellow; if it's brown, flush it down"). Seguimos essa regra até hoje. Ela também diz pôr um balde no chuveiro enquanto espera a água esquentar, aproveitando o líquido acumulado para irrigar a horta. Ali na ecovila, diz Everette, não se gasta água regando gramados, e cada gota despejada na horta vai parar no prato dos moradores. Até mesmo as plantas daninhas viram comida para as galinhas, e seu esterco é usado como adubo.

Além das vantagens para a saúde de ter produtos frescos o ano todo, ela diz que as práticas reduzem a dependência da casa por alimentos transportados por longas distâncias – poupando a emissão de combustíveis fósseis ou oriundos do agronegócio – que, segundo Everette, "desperdiça muita água e usa muito agrotóxico". Mas ela acredita que a tecnologia adotada pela casa que pode fazer a diferença para a Califórnia e outras regiões sob secas severas é o sistema aquapônico instalado no quintal. O sistema consiste em dois tanques de água interligados, onde se criam peixes e se cultivam verduras. É uma estrutura circular: as plantas filtram a água para os peixes, e os dejetos dos peixes nutrem as verduras. Nesse sistema, as plantas filtram a água para os peixes, e os dejetos dos peixes nutrem as verduras, Everette explica que, como os tanques estão cobertos, há pouca evaporação e não é preciso adicionar água ao sistema. E assim a casa passou a contar também com uma fonte de proteína animal.
Mudanças climáticas

"Muitas pessoas estão despertando para a necessidade de mudar seus padrões de consumo", diz à BBC Brasil Kate Litfin, professora de ciência política da Universidade de Washington. Litfin publicou no ano passado o livro Ecovilas: lições sobre formas de vida sustentáveis (sem lançamento previsto no Brasil), baseado no período em que viveu em 14 comunidades em cinco continentes. Segundo a Rede Global de Ecovilas, ecovilas são comunidades tradicionais ou intencionais administradas coletivamente e que integram ecologia, economia e cultura para regenerar ambientes sociais e naturais.

Os lançamentos da obra na Califórnia foram especialmente concorridos, diz a professora. "Os eventos estavam transbordando de gente, e todos estavam muito interessados na minha experiência. Tenho certeza de que isso tinha a ver com a seca". Litfin diz acreditar, porém, que o número de comunidades que se definem como ecovilas nos Estados Unidos não tem crescido – e não por falta de vontade, mas porque as terras no país são muito caras. Segundo a Companhia das Comunidades Intencionais, grupo que mapeia vários tipos de comunidades alternativas pelo mundo, há 205 unidades na Califórnia, muitas delas baseadas em princípios sustentáveis. Ainda assim, a professora afirma que "embora não possamos construir novas ecovilas para todos, podemos e devemos integrar seus princípios às nossas vidas. E isso está acontecendo".
Indústria da carne
A 140 quilômetros de San Mateo, na rica cidade de Davis, galinhas ciscavam soltas enquanto três rapazes arrancavam ervas daninhas do quintal de casa. Eram cumprimentados por vizinhos que passavam em shorts e camisetas fluorescentes, exercitando-se no fim da tarde. "É mais difícil plantar a comida que comprá-la, mas quero viver conforme os meus valores", diz David. "É bem mais difícil plantar sua própria comida que comprá-la no supermercado, mas quero viver conforme os meus valores", diz David Abramson, um dos oito moradores da residência. A casa é registrada como uma cooperativa e gerenciada por uma associação filantrópica, que aluga os quartos por preços abaixo do mercado. Para viver lá, deve-se ser estudante ou ter baixa renda, segundo os padrões locais.

Como na Ecovila San Mateo, os moradores ali dizem buscar reduzir ao máximo seu impacto no planeta. Segundo Abramson, quase toda a eletricidade da casa vem de painéis solares e, durante o verão, é comum eles receberem dinheiro da companhia fornecedora de energia elétrica por gerar mais energia do que consumir. Com a seca, diz Abramson, os moradores têm buscado reduzir ainda mais seu consumo de água. Para irrigar a horta, recorrem apenas à água usada para lavar a louça, coletada num balde na pia o detergente é biodegradável. Os moradores da Ecovila em San Mateo buscam 'reduzir ao máximo seu impacto no planeta'

E passaram a evitar comprar alimentos cuja produção consuma muita água, como carne. Abramson conta que ali se consome proteína animal uma vez por mês, quando eles próprios matam as galinhas mais velhas do quintal. Não é uma tarefa fácil, diz ele, já que as aves viraram quase animais de estimação. "Matá-las tem um custo emocional para nós, mas sinto que assim damos a importância devida a esse ato e não o banalizamos." 
Individualismo

Para a professora Karen Litfin, o maior obstáculo para a disseminação de formas de vida mais sustentáveis nos Estados Unidos é o individualismo. "Muitas pessoas ainda querem ter seu próprio carro, seu espaço privado, isso está muito enraizado na psique do estilo de vida americano." "A boa notícia é que os custos ambientais de permanecer nesse caminho serão tão altos que o problema terá de ser enfrentado coletivamente, por governos e a sociedade como um todo", afirma. "Vai chegar um momento em que esses padrões de vida terão de ser alterados, e não haverá escapatória."
Com as informações: BBC News.

sexta-feira, fevereiro 20, 2015

Chove mas os reservatórios do Sistema Cantareira não estão enchendo.



Em Camanducaia em Minas Gerais. A 1,6 mil metros de altitude, quase no topo da Serra da Mantiqueira, parte das nascentes que formam o Rio Jaguari em Camanducaia, no sul de Minas, renasceu com as chuvas dos últimos 30 dias. A água que voltou a brotar na montanha anima os moradores da região, mas ainda não tem volume nem força para percorrer 100 quilômetros e encher os reservatórios do Sistema Cantareira em Bragança Paulista e Joanópolis, em São Paulo. Com as informações Jornal Estadão.

As represas que representam 82% do manancial recebem 60% menos água do que antes da crise e agonizam no volume morto. Principal afluente do Cantareira, que abastece hoje cerca de 12 milhões de pessoas na Grande São Paulo e na região de Campinas, o Rio Jaguari virou um pequeno córrego com menos de 50 centímetros de profundidade durante a estiagem do ano passado. Muitas nascentes que formam o rio nos municípios mineiros de Extrema, Camanducaia e São Bento do Sapucaí desapareceram no início de 2014, quando oEstado esteve na região. Aos poucos, esses cursos d’água estão renascendo, o que já elevou para 1,5 metro o Jaguari na semana passada, o que não acontecia desde dezembro de 2013.

Em Extrema, na divisa entre Minas e São Paulo, cachoeiras que tinham virado pedra voltaram a ter quedas e piscinas naturais. “O rio sobe bem quando chove aqui no alto da serra, mas logo baixa. A terra está muito seca, ela chupa toda a água”, relata Clemilson Aparecido Fernandes, de 32 anos, que trabalha na Fazenda Campo Verde, onde estão algumas nascentes do Jaguari, no limite do município com São Bento do Sapucaí.



O secretário de Meio Ambiente de Extrema, Paulo Henrique Pereira, conta que esse efeito esponja do solo, agravado pela longa seca na região, ainda impede que as chuvas se revertam em vazões significativas de água para São Paulo. “Normalmente, as chuvas de dezembro e janeiro encharcam o solo, e as de fevereiro e março escorrem e enchem os reservatórios. Elas voltaram, mas ainda muito abaixo do esperado, apenas recuperando as nascentes. Esse processo todo é lento”, afirma.

Ânimo. Aricultores, meteorologistas, pescadores e donos de pousada na região do sul de Minas estão animados com a volta dos riachos e das nascentes do Jaguari. Mas todos são unânimes ao dizer que a chuva deste ano ainda não será suficiente. “Está melhor, já dá para pegar uns bagrinhos de novo. Até o Natal, o rio era só pedra. Dava para atravessar de bota sem se molhar”, conta o pescador Leonor Moreira Alves, 59 anos vividos às margens do rio.

Hilton Silveira, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp, explica que as águas das nascentes que estão ressurgindo apenas recompõem o solo neste momento. “Ela não serve para encher o rio de novo. Se chover dentro da média, vai demorar 5 anos para o Jaguari voltar ao normal”, diz o meteorologista.

Neste mês, a vazão média do rio na chegada ao Cantareira é de apenas 6 mil litros por segundo, ante 16 mil litros nesta mesma época em 2013, antes da crise, declarada oficialmente pelo governo em janeiro do ano passado. Enquanto isso, 17 mil litros por segundo saem do sistema. Em janeiro de 2010, por exemplo, quando os reservatórios transbordaram, o Jaguari chegou a registrar 140 mil litros por segundo.



Veja a reportagem completa no vídeo a baixo.


quinta-feira, janeiro 22, 2015

Aprenda a fazer uma cisterna e reaproveite a água da chuva.


Cisternas não são itens altamente tecnológicos possui eficiência comprovada de longa data. O sistema simples permite que água da chuva seja capturada e armazenada para o uso posterior. Ele já é bastante comum no nordeste do Brasil e em locais que sofrem com estiagem durante a maior parte do ano. Diante da crise hídrica no sudeste está é uma excelente opção para sobreviver a crise no abastecimento. São Paulo poderá entra em racionamento de cinco dias sem água e apenas dois dias com água na torneira.

O movimento Cisterna Já. Grupo formado por cidadãos 
independentes e preocupados com a preservação dos recursos hídricos, disponibiliza a qualquer pessoa acesso a dicas on-line sobre como produzir uma cisterna simples em casa. O sistema é muito simples e prático. Ao invés de deixar a água da chuva simplesmente ir embora, é possível conectar a cisterna à calha e aproveitar centenas de litros de água. O RECURSO NÃO É POTÁVEL, mas pode ser usado para a limpeza, rega de plantas, descarga, entre outras coisas, permitindo uma gigantesca economia de água.

Veja as dicas do grupo de como é fácil fazer uma cisterna. 





 Fonte: Sempre Sustentável

sábado, janeiro 17, 2015

Código Florestal de SP é atacado por especialistas.

Em meio à pior crise hídrica da história, deputados da base do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), na Assembleia Legislativa tentam aprovar um projeto que, para integrantes do próprio governo, "trará prejuízos irreversíveis à proteção e conservação da água, da fauna e da flora" do Estado.

De autoria do deputado Barros Munhoz (PSDB), líder do governo na Assembleia, e de outros cinco parlamentares governistas, o projeto que regulamenta o Código Florestal de 2012 em São Paulo permite, entre outros pontos, que a compensação ambiental de áreas desmatadas em São Paulo seja feita em outros Estados. O projeto estabelece o Programa de Regularização Ambiental. De acordo com especialistas em ecologia e conservação da biodiversidade, o projeto foi elaborado sem consulta científica.

Segundo o professor da Unicamp e coordenador do programa Biota-Fapesp, Carlos Joly, a proposta é uma aplicação direta do novo Código Florestal, que reduz extremamente as áreas de proteção permanente, além de liberar vegetação exótica para restauração de florestas. "Desse ponto de vista, é um desastre."

Para outros especialistas, São Paulo está próximo de desperdiçar a melhor chance de estabelecer um instrumento legal para reverter a devastação de seus principais biomas, como explica Ricardo Ribeiro Rodrigues, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo. "É um desperdício, uma vez que São Paulo é o Estado que teria melhores condições de fazer uma lei que corrigisse as distorções do Código Florestal", afirma.

Ele critica, por exemplo, a possibilidade de compensação ambiental de áreas desmatadas fora do Estado. "Quem derrubar florestas em São Paulo poderá compensar o desmate em outros lugares. É claro que isso será feito em áreas onde a terra custa menos, como no Nordeste. São Paulo ficará com a degradação - e suas consequências - e outros Estados terão o benefício da compensação."

Água

Para o diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, o projeto "regulariza o desmatamento, diminui as Áreas de Preservação Permanente (APPs) e as matas ciliares em São Paulo, acentuando a grave situação dos mananciais paulistas", como o Sistema Cantareira. "Além de promover a exportação da reserva Legal, o projeto tira a proteção das margens dos rios paulistas, o que é um contrassenso diante da crise pela qual passamos", afirma. A ONG organizou um protesto nesta terça-feira, 09, na Assembleia para tentar impedir a aprovação do projeto.

Mesmo sem acordo com outros líderes, Barros Munhoz disse que aprovaria ainda ontem a proposta - o que não havia acontecido até as 21h. A proposta não tem consenso nem entre os governistas, e foi rechaçada em e-mail enviado por um assessor da Secretaria do Meio Ambiente a líderes partidários, no dia 3. Ontem, o secretário Rubens Rizek negou, porém, que esta seja a posição oficial da secretaria.

Para Barros Munhoz, a proposta defende pequenos agricultores paulistas. "Esses agricultores precisam dessa regulamentação para não ficarem à mercê de promotores e dos fiscais da Cetesb (Companhia Ambiental de São Paulo), que, graças a Deus, são poucos", afirmou o tucano. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

2014 foi o ano mais quente registrado na história.

A Agência Oceânica e Atmosférica (NOAA), dos Estados Unidos, confirmou nesta sexta-feira, 16, que 2014 foi o ano mais quente desde que as temperaturas globais começaram a ser registradas, em 1880. O recorde anterior, considerando as médias globais de temperatura sobre os oceanos e os continentes, havia sido registrado em 2010.  A Nasa, a agência espacial norte-americana, produziu uma análise independente com base nos mesmos dados e também concluiu que 2014 foi o ano mais quente já registrado, em comparação ao período que vai de 1951 a 1980. Segundo a NOAA, os dez anos mais quentes já registrados desde 1880 ocorreram entre 1998 e 2014, o que fortaleceria a tese de que o aquecimento global é consequência de emissões humanas de gases de efeito estufa. O relatório também indica que as temperaturas médias de dezembro de 2014 foram as mais altas já registradas para o mês no mundo.


As temperaturas globais medidas ao longo de 135 anos indicam, segundo a NOAA, uma tendência de aquecimento global de longo prazo. Desde 1976, as médias anuais de temperatura têm sido maiores do que a média geral do século 20. Em 2014, a temperatura média global sobre os oceanos e continentes foi 0,69°C mais alta do que a média do século 20. A marca, sem precedentes, superou os recordes registrados em 2005 e 2010, quando a temperatura média superou em 0,04°C as médias do século 20. Considerando apenas a superfície dos continentes, a média global em 2014 foi 1°C mais alta do que as médias do século 20 - a quarta mais alta desde 1880. Ao analisar somente a superfície dos oceanos, a temperatura média global em 2014 foi 0,57°C mais alta que as médias do século 20. É a maior marca já atingida, ultrapassando os recordes registrados em 1998 e 2003, que superaram a média do século 20 em 0,05°C.


Segundo a NOAA, com o contínuo aquecimento, os recordes de calor registrados em 1998 agora são ultrapassados a cada quatro ou cinco anos. Alerta. Segundo o secretário-geral da ONG brasileira Observatório do Clima, Carlos Rittl, o recorde de temperatura de 2014 deve ser entendido como mais um alerta para a urgência que as alterações climáticas globais representam. “Esse recorde confirma o que já se sabia: as mudanças climáticas são o maior desafio da humanidade neste século. Não é algo que podemos deixar para depois. Esses dados são um chamado à ação e à responsabilidade, envolvendo todas as nações. É urgente que os países deem uma resposta à altura e cheguem a um acordo robusto e ousado de corte de emissões.”  Segundo Rittl, a tendência de aumento da temperatura não deixa mais espaço para o ceticismo em relação às mudanças climáticas. “A urgência é muito grande e não há mais tempo para dar ouvidos a quem nega o óbvio. A ciência mostra que o problema é grave e tende a piorar. É hora de parar de discutir e começar a agir.” Mais emissões. De acordo com André Nahur, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, os dados da NOAA e os relatórios do Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC) mostram uma curva ascendente das médias de temperatura nos últimos anos. “O aquecimento global é uma realidade que já está confirmada e já interfere no nosso cotidiano. Esses relatórios mostram que a tendência é que a temperatura aumente cada vez mais nos próximos anos.” Segundo ele, “o avanço das emissões e das temperaturas já tem impactos na disponibilidade hídrica, como se tem visto em São Paulo, na produção de alimentos, na biodiversidade e em muitos outros setores”.

Com as informações: Jornal O estado de São Paulo.

sexta-feira, dezembro 19, 2014

Falta de água pode levar humanidade ao veganismo.



Em 2014, pesquisadores de todo o mundo se reuniram em Estocolmo, na Suécia, para participar da Semana Mundial da Água. Em meio a discussões sobre o futuro do planeta, chegaram a conclusões alarmantes: até 2050, não haverá água para todos. Com a seca, teremos crises de desnutrição e fome, que podem levar a disputas violentas pelas últimas terras férteis do mundo. Mas nem todas as previsões foram catastróficas. Os cientistas também esboçaram soluções que poderiam prevenir esse cenário e garantir a cada um sua parcela justa de água e comida.


Ingestão de proteína animal precisa diminuir por que?

Os pesquisadores e importantes cientistas que estudam questões relacionadas à água fizeram este alerta sobre a produção mundial de alimentos, afirmando que a população global pode ter de mudar para uma dieta quase completamente vegetariana nos próximos 40 anos, a fim de evitar uma escassez catastrófica.


Os humanos consomem cerca de 20% de suas proteínas de produtos baseados em animais, mas isto poderá ter de cair para 5% para alimentar mais 2 bilhões de pessoas que deverão estar no planeta até 2050, de acordo com uma nova pesquisa.

“Não haverá água o bastante para a agricultura atual para produzir comida a uma população de 9 bilhões em 2050, se seguirmos tendências correntes e mudanças em direção a dietas comuns em nações ocidentais,”Afirma Malik Falkenmark criador do relatório produzido por ele e colegas do Instituto Internacional de Água de Estocolmo.

O alarme sobre a escassez de água e seus efeitos na limitação da produção de alimentos é feito em um momento em que Oxfam e ONU se preparam para uma possível segunda crise global em cinco anos. Os preços de alimentos básicos como milho e trigo subiram quase 50% nos mercados internacionais desde junho, como resultado de secas severas nos EUA e Rússia, e fracas chuvas de monções na Ásia. Mais de 18 milhões de pessoas já enfrentam uma crítica escassez na região do Sahel.


A Oxfam previu que os aumentos de preços terão impacto devastador sobre países em desenvolvimento com forte dependência de importações de alimentos, incluindo partes da América Latina, norte da África e Oriente Médio.

A adoção de uma dieta vegetariana é uma opção de aumentar a quantidade de água disponível para a plantação de mais comida em um mundo de clima cada vez mais errático, dizem os cientistas. Os alimentos ricos em proteína animal consomem de 5 a 10 vezes mais água que uma dieta vegetariana. Um terço da terra agricultável do mundo é usada para colheitas que servem à alimentação de animais. Outras opções para alimentar as pessoas incluem a eliminação do desperdício e um aumento do comércio entre países com excedentes de alimentos e aqueles com deficit.

“Novecentas milhões de pessoas já passam fome e 2 bilhões são subnutridas, apesar de que a produção de alimentos per capita continua a aumentar,” afirmam. “Com 70% de toda a água disponível sendo usada na agricultura, haverá muita pressão sobre terras e água para alimentar mais 2 bilhões.” O relatório está sendo divulgado no começo da conferência mundial sobre a água, em Estocolmo, onde 2.500 políticos, organizações da ONU, ONGs e pesquisadores de 120 países se encontram para discutir problemas relacionados a este recurso.

Soluções para a crise.

Entre as possíveis soluções apresentadas estavam a irrigação mais eficiente, menor desperdício de água e novos sistemas de alerta e legislação mais sustentável. Apesar da viabilidade dessas ideias, elas não seriam suficientes sem uma última medida: a humanidade deveria tomar o caminho do vegetarianismo. Quem come um pedaço de bife no almoço e outro no jantar passaria a ter direito a meio bife por dia.

Quanto à necessidade de medidas rápidas, não restam dúvidas. "O acesso à água já é um problema para um bilhão de pessoas. E com o aquecimento global isso tende a piorar, já que ele vai alterar os padrões de chuva e aumentar os eventos climáticos extremos", diz Jan Lundqvist, cientista do Instituto Internacional da Água de Estocolmo e um dos pesquisadores presentes no encontro. Segundo o pesquisador, a quantidade de água disponível no planeta não deve mudar muito no futuro. No entanto, a população vai crescer e seremos 9 bilhões em 2050 e os países mais pobres tendem a alcançar os padrões de consumo dos mais desenvolvidos. Com as informações The Guardian.