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quarta-feira, abril 29, 2015

Uso de agrotóxicos no Brasil sobe 162% em 12 anos, aponta pesquisa

Foto Agência Brasil
O setor agrícola brasileiro comprou, no ano de 2012, 823.226 toneladas de agrotóxicos – muitos deles, proibidos em outros países. De 2000 a 2012, o aumento em toneladas compradas foi 162,32%. Os dados estão no Dossiê Abrasco – Um Alerta sobre os Impactos dos Agrotóxicos na Saúde, lançado nesta quarta-feira (28) pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), em evento na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

“Desde 2009, o Brasil assumiu a posição de primeiro consumidor mundial de agrotóxico. O consumo daria 5,5 quilos por brasileiro por ano”, disse o diretor da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), Paulo Petersen.

Petersen explica que esse aumento está diretamente relacionado à expansão da monocultura e dos transgênicos. “Ao contrário do que vinha sendo propagandadeado quando eles [transgênicos] foram lançados, que permitiriam que o uso de agrotóxico diminuísse, porque seriam resistentes às pragas, o que se verificou foi o oposto. Não só está usando mais, como está usando agrotóxicos mais poderosos, mais fortes. Nós fomos levados a importar em regime de urgência determinados agrotóxicos que sequer eram permitidos no Brasil para combater pragas na soja e no algodão transgênicos, que foram atacados por lagartas.”

Segundo Petersen, 22 dos 50 princípios ativos mais empregados em agrotóxicos no Brasil estão banidos em outros países, além de haver uso além da necessidade técnica e métodos menos tóxicos e eficientes para o controle de pragas. “Estamos em uma situação de total descontrole, o Estado não cumpre o processo de fiscalização como deveria e a legislação para o uso de agrotóxicos também não é cumprida.”

O Brasil registrou, entre 2007 e 2014, 34.147 casos de intoxicação por agrotóxico, de acordo com o presidente da ABA. Entre os problemas causados por esse tipo de intoxicação estão a malformação de feto, câncer, disfunção fisiológica, problemas cardíacos e neuronais.

Desde a primeira edição, o debate sobre a questão foi ampliado na sociedade civil e também no governo e levou à criação do Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara), cuja minuta está pronta, mas ainda aguarda lançamento oficial pelo governo.

“Nesse debate, nós sustentamos a ideia, já confirmada por vários órgãos oficiais, de que é possível haver uma redução bastante significativa no consumo de agrotóxico no Brasil sem que isso comprometa em nada a eficiência econômica da agricultura brasileira”, afirma o pesquisador.

O dossiê é uma revisão da versão publicada em 2012. O trabalho deste ano tem mais de 600 páginas e teve o acréscimo de acontecimentos marcantes, estudos científicos e decisões políticas que envolvem os agrotóxicos. A publicação reúne, por exemplo, informações sobre a relação direta entre uso de agrotóxicos e problemas de saúde, como os que foram divulgados peloInstituto Nacional do Câncer (Inca) .

A edição de 2015 do dossiê traz um quarto capítulo inédito que aponta o caminho da agroecologia como forma sustentável e saudável de produção no longo prazo. “Esse capítulo apresenta várias experiências, de diferentes regiões do Brasil, que demonstram que é perfeitamente possível ser economicamente viável, ambientalmente sustentável, benéfico à saúde pública e produzir em quantidade e qualidade.”

O dossiê propõe dez ações urgentes, como priorizar a implantação de uma Política Nacional de Agroecologia no lugar do financiamento público ao agronegócio; impulsionar debates internacionais e enfrentar a concentração do sistema alimentar mundial; banir os agrotóxicos já proibidos em outros países; rever os parâmetros de potabilidade da água, para limitar o número de substâncias químicas aceitáveis e diminuir os valores máximos permitidos e proibir a pulverização aérea de agrotóxicos.

Com as informações: Agencia Brasil

segunda-feira, abril 13, 2015

Cereal Teff popular na Etiópia e de exportação proibida ganha status de 'Supergrão'


Essa cena se repete em toda a zona rural do país. Dessas plantas sai a semente de um grão chamado teff, consumido no país africano há centenas de anos, mas agora exaltado na Europa e na América do Norte como um "supergrão" - assim como a quinoa. Rico em proteínas e cálcio, além de livre de glúten, o teff tem crescido em popularidade internacionalmente.

No entanto, como o grão é parte fundamental da dieta etíope - comumente transformado em um pão achatado acinzentado chamado injera -, o país proíbe a exportação do teff, seja ele em sua forma mais crua ou depois de ser transformado em farinha. Rico em proteínas e cálcio, além de livre de glúten, o teff tem crescido em popularidade internacionalmente

Por isso, empresas etíopes só podem, por enquanto, exportar o pão injera e outros derivados do teff, como bolos e biscoitos.

A expectativa dos empresários, porém, é de que a Etiópia consiga aumentar significativamente sua colheita de teff, para que o grão possa ser exportado em um futuro não muito distante.

"Começamos do zero e agora estamos levando nossa comida tradicional a todo o mundo", diz Hailu Tessema, fundador da Mama Fresh, primeiro produtor de injera em grande escala na Etiópia.
Demanda crescenteA farinha de teff é misturada com água dentro de barris, onde fermenta por quatro dias Grão é transformado em pão achatado acinzentado chamado 'injera'
Seis dias por semana, a Mama Fresh usa voos da Ethiopian Airlines para levar 3 mil pães da capital, Adis Abeba, a Washington, nos EUA, onde vivem vários imigrantes etíopes. O injera também é transportado à Suécia três vezes por semana, à Noruega duas vezes por semana, e à Alemanha três vezes ao mês. "A demanda tem aumentado cerca de 10% por mês", diz Tessema, 60, que não se incomoda com o veto à exportação de sementes de teff. "É melhor exportar produtos com valor agregado, porque isso cria mais empregos."


A Mama Fresh emprega mais de cem pessoas e pretende contratar mais 50 neste ano. Sua matéria-prima vem de 300 produtores. Tessema começou seu negócio em 2003, com 100 mil birrs etíopes (cerca de R$ 15 mil) e um barraco. Hoje, sua receita anual é de cerca de 17 milhões de birrs (R$ 2,5 milhões), e no ano passado a empresa inaugurou uma nova fábrica.

Ali dentro, a farinha de teff é misturada com água dentro de barris, onde fermenta por quatro dias, para depois serem usados na produção do injera. No exterior, o pão já tem consumidores cativos, muitos deles expatriados etíopes. Pequeno grão do tamanho de uma semente de papoula, o teff também pode ser processado na forma de farinha e usado para produzir pães no estilo ocidental ou mesmo massas. Em Londres, a empresa Tobia Teff usa teff produzido nos EUA para fazer pães e mingau. Em Londres, empresa Tobia Teff usa teff produzido nos EUA para fazer pães e mingau

O negócio foi fundado pela etíope-britânica Sophie Sirak-Kebede, 58, que comandava também um restaurante na capital britânica, mas decidiu dedicar-se apenas ao teff. "As pessoas têm sonhado com teff ultimamente", diz ela. "Depois de milhares de anos (de existência), ele virou moda por aqui." Suas vendas aumentaram 40% nos últimos 14 meses.  Até mesmo o Serviço de Saúde Britânico (NHS na sigla ingesa, equivalente ao SUS no Brasil) passou a servir o teff para pacientes com intolerância a glúten.

Produtividade

No entanto, apesar de suas elogiadas propriedades nutricionais, o teff tem um problema produtivo: "Ele não dá muito rendimento. Houve pouco investimento e pesquisa nas colheitas", diz Zerihun Tadele, pesquisador etíope da Universidade de Berna, na Suíça. A produtividade média de teff na Etiópia é de 1,4 tonelada por hectare, menos da metade da média global de 3,2 toneladas para variedades modernas de trigo.

Tadele espera que, por meio de pesquisas e métodos agrícolas mais eficientes, seja possível elevar a plantação para 5 toneladas por hectare. Esse avanço já virá tarde: as recentes colheitas de teff não têm conseguido acompanhar a população crescente da Etiópia, fazendo com que os preços subam acima do que muitos conseguem pagar, sobretudo os que moram longe de Adis Abeba. Sirak-Kebede, da Tobia Teff, diz que a situação cria um dilema porque "o teff é a espinha dorsal (da dieta) da Etiópia". Etiópia proíbe exportação do teff, seja ele em sua forma mais crua ou depois de ser transformado em farinha "A escassez do teff seria como pedir aos etíopes que parassem de respirar", diz ela.

Ao mesmo tempo, porém, a empresária nota que o governo da Etiópia não deveria desperdiçar a oportunidade de exportar o produto, o que beneficiaria mais de 6 milhões de agricultores no país e gerar divisas. A Agência de Transformação Agrícola, órgão governamental, está focada em aumentar a produção do grão para ao menos atender a demanda interna. Depois disso, talvez seja possível exportar sementes e farinha. "A oportunidade para o país é significativa e o benefício de longo prazo supera os riscos", diz Matthew Davis, sócio do fundo de investimentos americano Renew Strategies, que investe na Mama Fresh. "O governo provavelmente vai proceder com cautela, concedendo licenças apenas para exportadores selecionados."

Certamente o governo etíope acompanha com nervosismo o exemplo da quinoa, que se tornou tão popular globalmente que se tornou caro demais para muitas pessoas na Bolívia e no Peru - origem do grão. Se a exportação de teff da Etiópia acabar sendo autorizada, Sirak-Kebede diz que comprará terras no país para produzir o grão e suprir com ele sua empresa britânica. "Sendo de origem etíope, preferiria comprar o teff da Etiópia", diz ela. "A qualidade é incomparável."


Fonte: BBC News

segunda-feira, março 23, 2015

O Vale do Silício tomou gosto por comida Vegana

 
Hambúrgueres vegetarianos que soltam um caldinho vermelho. Nuggets sem carne com a mesma textura carnuda e fibrosa do frango. Uma maionese sem ovos que é cremosa e uniforme. E uma bebida vegana que contém todos os ingredientes necessários a uma alimentação saudável, possibilitando que a pessoa nunca mais tenha de ingerir alimentos tradicionais. Com fome ainda?

Esses são os quitutes oferecidos por uma nova safra de apostas do Vale do Silício, startups que querem mudar os hábitos alimentares das pessoas. A ideia de produzir esse tipo de alimento vem atraindo empreendedores e investidores de capital de risco, que enxergam na indústria de alimentos tradicional um setor ineficiente, desumano e caduco. As empresas têm abordagens diversas, mas compartilham a ambição de criar alimentos à base de vegetais que, segundo elas, serão mais saudáveis, mais baratos e tão saborosos quanto uma comida que leve carne, ovos, leite ou outros produtos de origem animal - e terão um impacto ambiental muito menor.

“A pecuária é uma atividade tremendamente destrutiva e totalmente insustentável. Mesmo assim, a demanda por carne e leite está em alta”, diz Patrick Brown, fundador de uma dessas startups, a Impossible Foods, com sede em Redwood City, no coração do Vale. A empresa captou US$ 75 milhões para desenvolver imitações de carne e queijo à base de vegetais.

Segundo as Nações Unidas, a pecuária ocupa 30% da superfície degelada do planeta e é responsável por 14,5% de todas as emissões de gás estufa. Produzir carne também implica abastecer os animais com enormes quantidades de comida e água. Nos EUA, para cada 1 kg de animal vivo normalmente são necessários 10 kg de ração na bovinocultura, 5 kg na suinocultura e 2,5 kg na avicultura. Por outro lado, a população mundial deve passar dos 7,2 bilhões de pessoas atuais para mais de 9 bilhões em 2050 - e o consumo de carne tende a aumentar na mesma proporção. Para atender a demanda, a produção de alimentos terá de crescer significativamente.

É um desafio enorme, mas também uma boa oportunidade econômica. “Sempre que você encontra um jeito de usar proteína vegetal no lugar de proteína animal, a eficiência gerada, em termos de energia, de água e de todos os outros insumos envolvidos, é enorme - e no limite isso se traduz em economia de recursos financeiros”, diz Ali Partovi, um investidor de São Francisco que detém participações em startups como Dropbox e Airbnb, assim como em meia dúzia de empresas envolvidas na produção sustentável de alimentos.

O problema é que muitas pessoas fogem dos vegetais e dão preferência à carne, aos seus derivados e aos laticínios. Brown, entre outros empresários do ramo, acha que a solução é reproduzir com vegetais o sabor da carne, excluindo o elemento animal da equação. Dessa forma, pelo menos em tese serão usados menos recursos para produzir mais que a quantidade necessária de comida para alimentar todo mundo. “Estamos reinventando a maneira de transformar vegetais em carne e leite”, diz ele. Outras startups tem aspirações semelhantes. A Beyond Meat, que produz “nuggets” e “carne moída” à base de vegetais já comercializa seus produtos em supermercados. O mesmo faz a Hampton Creek, cuja maionese sem ovos é sucesso absoluto na rede americana Whole Foods Market.

Além do vegetarianismo. Como é sabido, as gigantes da indústria de alimentos já oferecem diversas alternativas para os derivados de carne e leite, e muitos vegetarianos e veganos os consomem. A diferença na nova abordagem é que essas startups não têm como público-alvo o pequeno porcentual da população que já vive com uma dieta majoritariamente à base de vegetais. Os consumidores que eles querem atingir são as pessoas que não se fartam de consumir carne e laticínios, e, para tanto, é fundamental imitar os sabores suculentos e as texturas cremosas que tantas pessoas adoram. “Queremos ter um produto que alguém louco por hambúrgueres diga que é melhor que todos os hambúrgueres que ele já comeu”, diz Brown.

Isso também é diferente de “cultivar” carne num laboratório usando a engenharia de tecidos, que envolve o emprego de culturas de células retiradas de animais vivos. A empresa nova-iorquina Modern Meadow investe nessa tecnologia, embora seu objetivo mais imediato seja produzir couro cultivado.

Criar uma nova categoria de alimentos é arriscado, pois consome altas doses de tempo e dinheiro. As gigantes do setor preferem adquirir produtos inovadores, em vez de desenvolvê-los internamente, explica Barb Stuckey, gerente de inovações da Mattson, uma consultoria do ramo de alimentos e bebidas com sede na Califórnia que vem desenvolvendo muitos produtos novos. “Só mesmo alguém de fora para dar uma sacudida na indústria de alimentos”, conjectura ela.

O negócio já atraiu um número considerável de renomados grupos e investidores de capital de risco, incluindo Kleiner Perkins, Google Ventures, Andreessen Horowitz, Khosla Ventures, Bill Gates e outros. “Se você for capaz de oferecer um alimento (à base de vegetais) mais saudável, com sabor igual ou melhor, a um custo igual ou menor, o sucesso é garantido”, diz Samir Kaul, do grupo Khosla. Se as companhias que têm recebido esses investimentos derem certo, os retornos podem ser fantásticos. A indústria americana de carne vale, sozinha, US$ 88 bilhões. E mesmo no caso de condimentos, como a maionese, o mercado chega a US$ 2 bilhões. Apesar disso o entusiasmo não é generalizado. Esses empreendimentos comportam risco elevado e alguns podem fracassar, adverte Michael Burgmair, da Silverwood Partners, um banco de investimentos com dezenas de negócios no setor de alimentos e bebidas. Segundo Burgmair, a questão é: “Será que os consumidores estão prontos para alguns desses produtos?”

A resposta de Brown, da Impossible Foods, é afirmativa. Inventor de um DNA-chip (também conhecido como DNA microarray, ou biochip) hoje largamente utilizado na análise de expressão genética, sua empresa vem desenvolvendo imitações de carne e queijo à base de vegetais há três anos. No caso da carne, o objetivo é recriar seus componentes essenciais - tecido muscular, conjuntivo e adiposo - usando substâncias vegetais. O primeiro produto da empresa é um hambúrguer que já tem aparência de carne, tanto cru, como cozido, e que, quando chegar ao mercado, vai ser tão ou mais gostoso que um hambúrguer de carne tradicional, promete Brown.

Para tanto, ele montou uma equipe comparável às que trabalham em companhias farmacêuticas e de biotecnologia. A maior parte é constituída de biólogos moleculares e bioquímicos. Há também físicos. Mas só um grupo reduzido é composto de indivíduos com formação em ciência dos alimentos ou treinamento culinário. No laboratório da empresa, os cientistas quebram substâncias vegetais e extraem delas proteínas individuais com propriedades funcionais capazes, por exemplo, de fazer com que um alimento ganhe ou perca consistência ao ser levado ao fogo.

Os cientistas da Impossible Foods também passaram muito tempo tentando descobrir o que confere à carne seu sabor inconfundível. Segundo Brown, o segredo do sabor de um hambúrguer está na heme, um composto presente em todas as células vivas, incluindo as vegetais. É também a heme que dá aos hambúrgueres sua coloração avermelhada. No processo de cozimento, ela atua como um catalisador que ajuda a transformar os aminoácidos, vitaminas e açúcares do tecido muscular em inúmeras moléculas voláteis e dotadas de sabor, explica ele. Para que seus hambúrgueres tenham o sabor suculento da carne, a Impossible Foods usa uma proteína heme equivalente a um composto desse tipo encontrado nas raízes dos legumes.

O desenvolvimento do hambúrguer já avançou muito. Brown diz que o primeiro protótipo criado pela empresa foi comparado a uma “polenta rançosa”. Versões mais recentes receberam críticas bem mais favoráveis e houve quem dissesse que eram “melhor que hambúrguer de peito de peru”. Em termos nutritivos, o conteúdo proteico do hambúrguer da Impossible Foods talvez seja ligeiramente mais elevado que o do hambúrguer convencional, ao passo que a quantidade de micronutrientes no produto à base de vegetais é no mínimo igual à presente no de origem animal. Além disso, por ser feito de vegetais, ele não contém vestígios de antibióticos, hormônios ou colesterol. A empresa trabalha com a expectativa de começar a comercializar o hambúrguer no fim deste ano.

Pegando gosto. A Beyond Meat, sediada no sul da Califórnia, também realiza estudos sobre os componentes da carne a fim de reproduzir sua textura e sabor. “Já sabemos o bastante para compreender a arquitetura e a composição de um pedaço de músculo”, diz o CEO da empresa Ethan Brown (nenhum parentesco com o Brown da Impossible Foods). O carro-chefe da Beyond Meat são os Beyond Chicken Strips, comercializados desde 2012, que apresentam uma textura surpreendentemente autêntica ao serem consumidos. Quando, por engano, diversos pontos de venda da Whole Foods Markets puseram à venda algumas saladas de frango preparadas com os nuggets à base de vegetais da empresa, não houve queixas. Só dois dias depois um funcionário descobriu o erro, e então as saladas foram oficialmente submetidas a um recall. A textura do produto é o resultado de anos de pesquisas conduzidas na Universidade do Missouri. Agora ela pode ser reproduzida por meio de um processo que dura menos do que dois minutos: um extrusor rapidamente aquece, resfria e pressuriza uma mistura de proteínas e outros ingredientes numa estrutura que imita o tecido fibroso de um músculo.

O mais novo produto da empresa, Beast Burger, foi lançado em fevereiro. Contém mais proteína, mais ferro e é, no conjunto, mais nutritivo que os hambúrgueres feitos com carne de verdade. “A obsessão por carne no fundo corresponde, na história da evolução humana, à busca de uma fonte alimentar rica em nutrientes”, explica o CEO. “Eu quis usar essa ideia como ponto de partida e elaborar em cima dela.”

Mas convencer os carnívoros a comprar hambúrgueres à base de vegetais não é tarefa fácil. “A impressão que eu tenho é que carne é um negócio meio masculino. Não dá pra vender do mesmo jeito que você vende alface”, diz Brown. Por isso, a empresa quer construir sua marca com imagens de vitalidade, boa forma física e saúde. Atletas são usados em suas campanhas publicitárias. David Wright, capitão da equipe de beisebol New York Mets, já está no elenco. Em troca, ele receberá uma pequena participação acionária.

Ainda em desenvolvimento está o que talvez seja o produto mais ambicioso criado até hoje pela Beyond Meat - um equivalente de carne moída crua que a companhia pretende vender nas seções de carne dos supermercados, lado a lado com carne de verdade. Essa carne moída à base de vegetais deve ser lançada ainda este ano e poderá ser cozida e preparada em forma de bolo de carne ou de almôndegas. Não se descarta a possibilidade de que alguma cadeia de fast-food queira usá-la na preparação de seus hambúrgueres.

A Hampton Creek, de San Francisco, usa proteínas vegetais no lugar de ovos nos produtos que já lançou. Sua maionese Just Mayo e sua massa pronta para cookies Just Cookie Dough são comercializadas em 30 mil estabelecimentos, incluindo as redes Kroger e Walmart. A empresa agora trabalha no desenvolvimento de um molho para salada tipo ranch e em versões vegetais de ovos mexidos e macarrão. O objetivo é criar produtos que estimulem as pessoas a substituir itens convencionais por alimentos sustentáveis, à base de vegetais. “A mudança acontece quando você faz uma coisa tão gostosa e a um preço tão acessível que ninguém resiste a experimentá-la”, diz o presidente da empresa Josh Tetrick.

Para conseguir isso, a Hampton Creek montou uma equipe que inclui especialistas em bioquímica, bioinformática e ciência dos alimentos, além de alguns chefs. Os cientistas da empresa extraem e isolam proteínas de substâncias vegetais e realizam análises bioquímicas básicas para entender suas características e possíveis aplicações em diversos alimentos. As mais promissoras são testadas em receitas preparadas nas seções de padaria e culinária da empresa.

Até agora foram analisadas mais de 7 mil amostras de vegetais e identificadas 16 proteínas que podem ter alguma utilidade em aplicações culinárias. Algumas já são usadas em produtos alimentícios comercializados pela empresa, como é o caso de um tipo de ervilha amarela canadense que entra na composição da maionese Just Mayo. Os cientistas da Hampton Creek buscam proteínas com propriedades funcionais, como as de ação espumante, gelatinosa e de retenção de umidade. A maionese, por exemplo, precisa de uma substância que combine a quantidade certa de óleo com água a fim de criar uma emulsão estável. Para chegar à versão atualmente vendida nos supermercados, a companhia testou mais de 1,5 mil fórmulas diferentes.























Fonte: Jornal Estadão

quinta-feira, janeiro 22, 2015

Horta comunitária exemplo de bairro suíço onde cada morador planta um alimento e compartilha com os demais.



Os moradores da Avenida Crozet, em Genebra, na Suíça, têm o privilégio de poderem colher diariamente alimentos organicos sem precisar comprá-los. Eles simplesmente transformaram seus jardins em verdadeiras hortas comunitárias. A lei é a seguinte: cada um planta um tipo de alimento em seu quintal e depois pode colher outra variedade de alimento dos vizinhos. Assim, os habitantes consomem produtos orgânicos frescos à base de trocas e aumentam o senso de comunidade.


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A ideia surgiu de um antigo conceito criado por Moritz Schreber no século XIX. No ano de 1864, as pessoas começaram a utilizar espaços externos de suas casas para cultivar seus próprios alimentos. Logo, países como Áustria e Suíça aderiram à ideia. Hoje, o bairro da Avenida Crozet é conhecido pela sua enorme horta comunitária e virou modelo de consumo sustentável para todos nós.

Através do Google Maps, é possível ver a estrutura bem organizada criada pelos moradores:

Fonte: Google Maps e hypeness.

segunda-feira, dezembro 08, 2014

Brasileiro consome em média 5,2 litros de agrotóxico por ano.


Post atualizado 03 Abril de 2015


O Brasil é campeão mundial no uso de agrotóxicos e por isso um terço dos alimentos consumidos pelos brasileiros está contaminado por agrotóxicos. Cabendo a cada brasileiro o consumo médio de 5,2 litros de veneno por ano. O dado foi divulgado por ambientalistas no dia 3 de Dezembro de 2014, quando é celebrado o Dia Internacional da Luta contra os Agrotóxicos. A data lembra a tragédia ocorrida há 30 anos, na cidade de Bhopal, na Índia, quando uma fábrica da Union Carbide, atual Dow Chemical, explodiu, liberando toneladas de agrotóxico no ar, matando nas primeiras horas duas mil pessoas e vitimando de forma fatal outras milhares nos dias seguintes.

Foi no pós-2a Guerra que o uso de agrotóxicos passou a ser disseminado, com o crescimento exponencial da agricultura industrial. A chamada Revolução Verde levou uma série de inovações ao campo para aumentar a produção agrícola. Entre elas, a substituição da mão-de-obra humana pela mecanizada, o advento de sementes geneticamente modificadas e o uso de adubos químicos e venenos para pragas. O objetivo declarado até poderia ser nobre: combater a fome. Porém, cinquenta anos depois, além dos impactos sociais causados pelo êxodo rural, as consequências para o meio ambiente e para a saúde das pessoas evidenciam que esse modo de produzir pautado apenas na quantidade e não na qualidade está ultrapassado.

No ano passado, a Embrapa deixou disponível na internet um estudo realizado por seus pesquisadores entre os anos de 1992 e 2011. O objetivo do levantamento era traçar um panorama sobre a contaminação ambiental causada pelos agrotóxicos no Brasil. E o cenário é assustador: em todas as regiões do país são encontradas amostras de resíduos tóxicos em concentrações acima do recomendável, seja nas plantações, no solo, nas águas ou nos peixes. Isso porque não foram avaliados os impactos sobre a carne, ovos e leite, que indiretamente também trazem agrotóxicos para a mesa. Um herbicida  bastante aplicado para limpar terrenos antes do cultivo é o 2,4-D. Trata-se de um dos componentes do agente laranja, utilizado pelos Estados Unidos na Guerra do Vietnã. O herbicida é proibido em países como a Suécia, a Noruega, a Dinamarca, em vários estados do Canadá e os Estados Unidos vêm discutindo o seu banimento também. Aqui é liberado. E ele é apenas um.


Em nosso país temos mais de 400 tipos de agrotóxicos registrados. Entre eles, pelo menos 14 venenos proibidos no resto do mundo acabam sendo desovados por aqui e têm permissão para o comércio. Na União Europeia e Estados Unidos, são considerados lixos tóxicos. No Brasil manuseamos, respiramos, bebemos e comemos. Alguns a gente até proíbe, mas a venda e o uso ilegal correm soltos pelo campo frente a uma fiscalização falha. E, das substâncias permitidas, em inúmeros casos são aplicadas quantidades acima dos limites aceitáveis. Até porque há um mito entre produtores rurais de que, quanto maiores as doses, mais tempo a lavoura fica livre de pragas. Mas parece que esse controle se tornou ele próprio a maior praga. Porque os impactos na saúde pública são evidentes.


A cada 90 minutos, um brasileiro é envenenado em decorrência do uso de agrotóxicos no país. E isso são apenas os casos notificados ao sistema de saúde. É uma epidemia de intoxicações agudas, com direito a dores de cabeça, vômitos, infecção urinária, alergias. O uso de agrotóxicos é uma prática tão deliberada, inconsequente e sem controle que chegamos ao absurdo de episódios como esse, onde um avião simplesmente despejou sua carga do inseticida engeo pleno em cima de uma escola, hospitalizando funcionários e dezenas de crianças. Aliás, a prática da pulverização aérea foi proibida pela União Europeia lá em 2009, dada sua baixa eficiência e riscos ambientais. Por aqui, apesar da pressão dos movimentos sociais, a discussão sobre proibição da pulverização aérea está nesse nível aqui.


Ainda sobre os impactos que o uso massivo de agrotóxicos têm sobre a saúde, eles vão além do mal estar. Especialistas apontam uma relação direta entre o acúmulo de agrotóxicos no organismo e o desenvolvimento de câncer de mama, fígado e testículos. Uma contradição quando se pensa que o consumo de frutas e legumes é exatamente uma das atividades saudáveis recomendadas para ajudar a prevenir o surgimento de tumores malignos. Há pouco tempo, uma pesquisa realizada no município de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, mostrou que havia resíduos de agrotóxicos no leite materno de todas as mulheres examinadas. Todas, 100%. A mesma cidade é apontada como ícone do desenvolvimento trazido pelo agronegócio.

A alternativa está bem ao nosso alcance: optar pelo consumo de alimentos provenientes da agricultura orgânica. Além de serem isentos de adubos químicos e venenos para pragas, eles também não contêm remédios veterinários, hormônios e organismos geneticamente modificados. Quando se trata de alimentos orgânicos processados, nada de corantes, aromatizantes e conservantes sintéticos. É um modo de produzir que respeita os ciclos da natureza e estabelece formatos de trabalho colaborativos, valorizando a qualidade de vida de quem produz, de quem vende e de todos que consumimos.

Agrotóxicos não são uma necessidade inevitável. É possível levar comida para cada mesa brasileira sem agredir o meio ambiente e nem causar danos à saúde dos trabalhadores rurais e de nós mesmos. Ar puro, águas limpas, terras férteis e alimentos de qualidade. A gente tem direito a tudo isso. O cultivo de orgânicos dentro de cooperativas familiares poderia suprir a todos com alimentos de qualidade a preços justos. Basta organizar a produção e o escoamento de forma mais descentralizada.


“Nós, aqui no Brasil, estamos desde 2008 na liderança como os maiores consumidores de agrotóxicos no mundo. Isso por conta do modelo adotado pelo país, do agronegócio. O Brasil se coloca no cenário mundial como exportador de matérias primas básicas, sem nenhum valor agregado, como é o caso da soja, do milho e da cana. São produtos que ocupam a maior parte da área agricultável brasileira, à medida em que a superfície para alimentos básicos vem diminuindo”, destacou o ativista.


Segundo ele, o país é campeão no uso de agrotóxicos, com consumo per capita de 5,2 litros por habitante ao ano. “Mas isso não é dividido de forma igual. Se pegarmos municípios do Mato Grosso, por exemplo, como Lucas do Rio Verde, lá se consome 120 litros de agrotóxicos por habitante”, alertou Tygel. Os ambientalistas querem o fim da pulverização aérea, o fim da comercialização de princípios ativos proibidos em outros países e o fim da isenção fiscal para os agrotóxicos.


“Uma das nossas bandeiras é o fim da pulverização aérea, pois uma pequena parte do agrotóxico cai na planta, e a grande parte cai no solo, na água e nas comunidades que moram no entorno. Temos populações indígenas pulverizadas por agrotóxicos, que desenvolveram uma série de doenças, desde coceiras e tonteiras até câncer e depressão, levando ao suicídio e à má formação fetal”, enfatizou Tygel.


Além disso, ressaltou que o meio ambiente é fortemente impactado, com extinção em massa de diversas espécies de insetos, como abelhas, repercutindo na baixa polinização das plantas e na produção de mel. Também as águas são contaminadas com moléculas absorvidas pelos animais e pelo ser humano, levando a uma série de doenças, que muitas vezes são passadas das mães para os filhos.

Mais informações sobre o tema acesse:
Embrapa
hypeness
Uol Saúde

Anvisa
Contra os Agrotoxicos