domingo, abril 05, 2015

Dica Culinária - Hambúrguer de Arroz e Cenoura (Glúten free)


INGREDIENTES
  • 2 xícaras de arroz cozido ou sobras de risoto
  • 1 xícara de cenoura ralada bem fina (pode ser processada)
  • 1 cebola pequena (eu usei roxa porque era o que tinha)
  • 1/4 xícara de salsinha picada
  • 2 colheres de sopa de Nutritional Yeast (opcional)
  • 1 colher de sopa de molho shoyo (opcional)
  • 1 colher de sopa de salsinha desidratada ou orégano
  • 1/4 de xícara de farinha de grão de bico ou outra sem glúten
  • óleo vegetal para untar a assadeira
  • sal e pimenta a seu gosto
PREPARO
  • Em uma vasilha misture os ingredientes e coloque por ultimo a farinha. Pode usar qualquer tipo de farinha sem glúten. Eu usei de grão de bico porque era o que tinha em casa. Caso você preferir pode usar farinha de trigo integral ou branca na mesma quantidade indicada na receita.
  • O ponto ideal para modelar os hambúrgueres é quando não grudar mais na mão. Caso seja necessário coloque um pouco mais de farinha para conseguir modelar mais facilmente.
  • Faça bolas do tamanho que desejar e modele os hambúrgueres com a mão. Coloque em uma assadeira untada com óleo. 
  • Leve ao forno pré-aquecido para assar em uma temperatura de 180C por mais ou menos 30 minutos ou até que esteja dourado.
  • Na metade do processo, vire os hambúrgueres com o auxilio de uma espátula para que fique assado por igual dos dois lados.
  • Pronto, e só servir esta delicia como preferir. Eu servi com um pratão de salada. Se quiser montar o seu hambúrguer com pão, alface, tomate e cebola roxa em rodelas, pepino, abacate, maionese, ketchup.... Fica simplesmente maravilhoso. 
Referencia: Blog Veganana

quinta-feira, abril 02, 2015

Crise hídrica: obras de anel rodoviário de R$ 6,8 bi afetam rios e nascentes em SP

Promotores do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) suspeitam de falhas em licenças ambientais relacionadas a um túnel que desabou em dezembro no Trecho Norte do Rodoanel  rodovia de 44 quilômetros, orçada em R$ 6,8 bilhões, que cruza áreas de preservação ambiental na Serra da Cantareira. Por meio de blogs, redes sociais e vídeos no YouTube, a população local alega que mais de 100 nascentes teriam sido soterradas durante a construção da rodovia. Entre pilares de concreto, aterros e túneis, a reportagem flagrou um vazamento em uma nascente desviada pela construção, além de acúmulo de sedimentos no fundo de córregos. À BBC Brasil, a Secretaria de Transportes do governo paulista negou soterramentos e reconheceu "efeitos temporários" sobre as águas, que não fazem parte do Sistema Cantareira e desembocam atualmente no rio Tietê.

Montagem mostra rio desviado por aterro construído para pistas do Rodoanel em área de preservação (Foto: Ricardo Senra/BBC Brasil)
"Vira esgoto e poderia ajudar no abastecimento da cidade", reclamam moradores do Horto Florestal, bairro vizinho à construção. A administração de Geraldo Alckmin diz que trabalha para "reduzir ao máximo o impacto residual da obra" ─ que seria inaugurada neste ano mas foi adiada para o primeiro semestre de 2017.  Em entrevista à BBC Brasil, Laurence Casagrande, presidente da Dersa (empresa de desenvolvimento rodoviário do governo estadual), defendeu o empreendimento e afirmou que todas as investigações anteriores do MP foram julgadas improcedentes pela Justiça paulista. Responsabilidade do governo de São Paulo, a obra tem apoio financeiro do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do governo federal. Licenciado pela companhia de saneamento estadual Cetesb e aprovado pelo Ibama, o trecho final do anel rodoviário não tem efeitos diretos sobre os reservatórios do sistema Cantareira mas recebe críticas por seu impacto na bacia hidrográfica da região.

Imagem das obras no lote 5 do Rodoanel Norte - cronograma para término das obras, agora marcado para o primeiro semestre de 2017, foi alterado pela quarta vez (Foto: Ricardo Senra/BBC Brasil)
"A cada 50 metros existe uma pequena nascente ali. A obra corta, e corta muito, os mananciais da serra", diz o ambientalista Carlos Bocuhy, membro do Conselho Nacional de Meio Ambiente, em Brasília. O presidente da Dersa, responsável pela obra, recebeu a reportagem da BBC Brasil em seu gabinete, no 10º andar de um edifício na zona sul da cidade. Laurence Casagrande diz que a "Justiça comprovou a regularidade do Rodoanel" e que discorda dos efeitos apontados pelo MP e por entidades de defesa ambiental.

Obra do Rodoanel Norte está orçada em R$ 6,8 bilhões - construção do Rodoanel completo é tocada pelo governo de São Paulo há 17 anos (Foto: Ricardo Senra/BBC Brasil)
"Esta obra é exemplo internacional em preservação", diz, em frente a um cartaz do empreendimento. "Não estou dizendo que existe, mas se houver um soterramento de nascente, essa água vai sair por algum lugar. Deixar isso acontecer poderia prejudicar a própria obra." O executivo ressalta o legado da rodovia. "Vai haver alguma modificação? Sim, vai haver modificação. Ficará tudo igual ao que era antes? Não, não vai ser tudo exatamente igual. Mas entende-se que os benefícios que a obra traz compensam esses pequenos impactos, mesmo aqueles que permaneçam", afirma Casagrande. O trecho norte completa o projeto "Rodoanel Mário Covas", autoestrada de 177 quilômetros, cuja construção começou em 1998 para aliviar o trânsito nas avenidas marginais que cruzam a cidade. Segundo a Dersa, depois de pronta, a via em construção poderá retirar até 17 mil caminhões que circulam todos os dias pela marginal Tietê.
O geólogo Antônio Manuel dos Santos Oliveira, coordenador do Laboratório de Análise Geoambiental da Universidade de Guarulhos - cidade atravessada por 53% do Trecho Norte do Rodoanel -, no entanto, afirma que, diante da crise hídrica, todas as fontes de água disponíveis deveriam ser aproveitadas. "Hoje em dia cada gota d'água conta, não? Se é recomendado que fechemos a torneira para escovar os dentes, seria bom que estes pequenos recursos fossem privilegiados ao invés de sofrer com os impactos de uma obra como esta", diz. Entre as possibilidades de uso dos rios afetados pela obra estaria a redistribuição do sistema de abastecimento em pequenos reservatórios regionais. A iniciativa, segundo ambientalistas, poderia aliviar o sistema Cantareira (hoje com 19% de sua capacidade máxima) e permitir diversidade de fontes hídricas em tempos de seca.
Governo do estado de São Paulo afirma que o traçado escolhido para o trecho "não prejudica mananciais de abastecimento" (Foto: Ricardo Senra/BBC Brasil)
Junto a moradores da região e à Dersa, a reportagem da BBC Brasil visitou diferentes canteiros de obras ao redor da Serra da Cantareira durante a última semana para verificar o estado dos rios que cruzam a construção. Engenheiros do governo e técnicos ambientais da OAS, construtora responsável por dois trechos da obra, conduziram a visita ao primeiro canteiro, no lote 2 do Rodoanel Norte. Ali, apresentaram ferramentas como réguas para controle e medição de assoreamento em rios, caminhos e tubulações de concreto para desvio de cursos d'água e plantações de mata ciliar para proteção de córregos. A reportagem pediu para visitar a área que abriga os destroços de um túnel que desabou em dezembro do ano passado dentro de uma área de preservação permanente em Guarulhos.

Quatro meses depois do desabamento do túnel, as obras estão paralisadas e não existe laudo apontando as causas do acidente. Procurado, o IPT (Instituto de Pesquisa Tecnológicas), responsável pela elaboração do laudo, disse que "os trabalhos das equipes naquele local estão em andamento, não havendo até o momento previsão de prazo para conclusão e entrega do relatório final". Na área do túnel destruído, a BBC Brasil encontrou cursos d’água cercados por morros aterrados por tratores, sem controle de assoreamento. Um vazamento em frente aos destroços espalhava a água drenada de dentro de um morro para o meio do canteiro de obras surpresa também para os técnicos que acompanhavam a visita. Segundo Casagrande, os problemas encontrados pela reportagem são temporários. "Esta é uma situação transitória, que precisa ser consertada, e imagino que seja corrigida rapidamente", diz. "Antes esse rio passava ali em cima. Era tudo mato, a gente tomava banho nele. Agora é só terra e não dá para molhar nem a canela", diz vizinha à obra.

(Foto: Ricardo Senra/BBC Brasil)
O presidente da Dersa lembra que todos os canteiros de obras contam com fiscalização ambiental. "Se houvesse um crime ambiental ali, a construção seria embargada", diz.

O promotor de Justiça Ricardo Manuel Castro, do Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público de SP, investiga os impactos ambientais da construção desde o período anterior ao início da obra.

À BBC Brasil, por telefone, Castro disse que o "desmoronamento pode ter ocorrido por insuficiência dos levantamentos que ensejaram o registro ambiental". Daqui duas semanas, o promotor se reunirá com o governo para "discutir os impactos decorrentes da paralisação (das obras na região do túnel), impactos ambientais recorrentes dos desmatamentos já feitos e a continuidade destas obras de impacto." Água e barroAmbientalista Elisa Puterman e o índio guarani Lenildo Wassu: "Esta cratera foi um rio que era usado pelos índios".

Foto: Lucio Tamino
Em frente a um córrego de água barrenta que corria pela lateral do aterro construído para a passagem das pistas, a reportagem encontrou duas irmãs. "Antes esse rio passava ali em cima. Era tudo mato, dava para tomar banho nele. Agora é só terra e não dá para molhar nem a canela", diz uma delas.

A Dersa afirma que todos os desvios em rios são autorizados pela Justiça. "Temos outorga para todas as interferências em cursos d'água. Fazemos a intervenção e devolvemos na condição mais próxima possível da original", diz o presidente da companhia. Morador diz que nesta área existiam um córrego e uma nascente, que teriam sido aterrados.

Foto: Portal ZNnaLinha
"É preciso avaliar também que talvez parte dessa diminuição venha da falta de chuva no ano passado e o morador não saiba diferenciar", justifica Casagrande.

Inimiga feroz da obra, a editora e ambientalista Elisa Puterman, que mora a poucos metros da construção, chora ao mostrar as enormes pilastras que cortam a mata dos fundos de sua casa. "Estão implodindo a Cantareira", diz. "Isto é uma área de preservação, ajuda na umidade, no resfriamento da cidade. Veja aquele rio: era caudaloso, intenso. Agora é só barro." Junto ao índio guarani Lenildo Wassu, que mora em uma reserva próxima, ela diz ter identificado uma das nascentes soterradas no bairro Ponte Alta, em Guarulhos. Segundo a Dersa, a nascente registrada nas fotos está localizada a "aproximadamente 25 metros ao sul do limite de interferência da obra".

Com as informações BBC News

sábado, março 28, 2015

Tóquio tem hortas urbanas nas estações de metro.


A falta de espaço é um problema e tanto no Japão. EmTóquio, além de estacionamentos que enterram bicicletas, os moradores têm acesso a outra iniciativa para driblar a falta de espaço:hortas urbanas construídas no topo das estações de metrô.

Batizado de Soradofarm, o projeto é coodernado pela companhia local de metrô, a East Japan Railway Company, e tem como objetivo oferecer aos japoneses que querem cultivar uma horta, mas não tem espaço em casa, a oportunidade de plantar alimentos no topo das estações.


A iniciativa começou em 2010 e fez sucesso entre a população: atualmente, cinco estações de metrô já contam com hortas urbanas e outras oito estão em fase de construção.

Para ter um pedacinho de terra para chamar de seu, no entanto, é preciso pagar. Os ‘agricultores urbanos’ desembolsam 100.440 ienes (cerca de R$ 2.500) por ano para cultivar legumes, frutas e verduras no topo dos metrôs.

Todas as ferramentas necessárias para o cuidado com a terra são oferecidas pelas estações. Os inquilinos também não precisam ser grandes conhecedores de jardinagem ou agricultura, uma vez que os espaços contam com a presença de especialistas. Veja, abaixo, mais fotos da iniciativa.

Tóquio desenvolve incrível estacionamento subterraneo de bikes

A falta de espaço é um problema cada vez maior nas grandes cidades e os japoneses sabem muito bem disso. Por lá, muita gente já aderiu às bikes para evitar os longos congestionamentos na hora de se locomover, mas encontrar um lugar para estacionar a magrela também não é nada fácil.

Em Tóquio, pelo menos, não era. Apresentamos a você a Eco Cycle, uma máquina desenvolvida pela empresa de construção GIKEN que pôs fim ao drama dos moradores da capital japonesa na hora de estacionar a bicicleta. É que a engenhoca, literalmente, enterra as magrelas no subsolo.




Cada unidade da Eco Cycle é capaz de armazenar cerca de 200 bikes. O ciclista coloca sua magrela na cabine, aciona a máquina e, em segundos, ela some de vista. Depois, para recuperá-la, basta inserir seu cartão de identificação na engenhoca e, em exatos 13 segundos, ela trás sua bicicleta, novamente, à superfície.

A mensalidade do estacionamento custa 2.600 ienes – pouco mais de R$ 60 – e estudantes possuem desconto de 50%. A máquina anda fazendo sucesso entre os japoneses: mais de 40 unidades já foram instaladas e a GIKEN planeja multiplicá-las ainda mais.

Trata-se de uma alternativa rápida para estacionar a magrela, que de quebra ainda a deixa protegida de ladrões e intempéries. Você curtiria um estacionamento de bikes como esse por aqui?

Assista, abaixo, ao vídeo de divulgação da Eco Cycle, em inglês.




Ciclovia Solar caminho do futuro.


A Holanda apresenta inovação tecnológica: ciclovia construída com painéis de concreto com células fotovoltaicas cobertas com vidro temperado. Ao receberam a incidência da luz solar, os painéis iniciam a geração de energia que é direcionada aos mais variados usos no entorno.



A ciclovia, chamada de SolaRoad, foi citada como a primeira ciclovia solar do mundo. O caminho do futuro e o caminho para o futuro”: É assim que é apresentada a ciclovia solar inaugurada na cidade de Krommenie, a noroeste de Amsterdã - a primeira ciclovia solar do mundo. Mas há outras iniciativas anteriores, dentro da mesma ideia, com materiais diferenciados. A Starpath, em Cambridge, foi implantada em meio ao parque Christ’s Pieces, feita com uma pintura que armazena os raios ultravioletas durante o dia para emiti-los à noite. O efeito é feérico, semelhante aos vagalumes das matas brasileiras.



Outra versão é a SolarRoadways,também na Inglaterra, proposta pensada para cidades que sofrem com as nevascas. Neste caso a ciclovia transforma a energia solar em calor para derreter a neve e liberar o caminho. Um dos integrantes do consórcio SolaRoad, Dr. H. Sten, disse à BBC que, eventualmente, as estradas solares poderiam ser utilizadas para recarregar os veículos elétricos que as utilizam. O futuro está só começando.

Há esperanças de energia renovável para este nosso mundo de combustível caro, tarifas abusivas e guerras por petróleo.

Fonte: BBC News

segunda-feira, março 23, 2015

Vídeo da Nasa mostra como a poeira do Saara atravessa o oceano e fertiliza a Amazônia

Pela primeira vez, um satélite da NASA quantificou em três dimensões quanta poeira faz a viagem transatlântica do deserto do Saara para a floresta amazônica. Entre esta poeira está o fósforo, um nutriente essencial que age como um fertilizante, que a Amazônia depende, para prosperar.

As novas estimativas de transporte de poeira foram obtidos a partir de dados coletados pelo 
satélite Cloud-Aerosol Lidar da NASA e Infrared Pathfinder satélite de observação, ou CALIPSO, via satélitea partir de 2007, embora de 2013.

Uma média de 27,7 milhões de toneladas de poeira por ano - o suficiente para encher 104.980 caminhões semi - caem pela a superfície da Bacia Amazônica. A porção de fósforo é estimada em 22 mil toneladas por ano, é quase o mesmo montante que esse perdeu da chuva e inundações. A descoberta é parte de um esforço de pesquisa maior para compreender o papel de poeira e aerossóis no meio ambiente e no clima local e global.

Para mais informações visite: NASA

O Vale do Silício tomou gosto por comida Vegana

 
Hambúrgueres vegetarianos que soltam um caldinho vermelho. Nuggets sem carne com a mesma textura carnuda e fibrosa do frango. Uma maionese sem ovos que é cremosa e uniforme. E uma bebida vegana que contém todos os ingredientes necessários a uma alimentação saudável, possibilitando que a pessoa nunca mais tenha de ingerir alimentos tradicionais. Com fome ainda?

Esses são os quitutes oferecidos por uma nova safra de apostas do Vale do Silício, startups que querem mudar os hábitos alimentares das pessoas. A ideia de produzir esse tipo de alimento vem atraindo empreendedores e investidores de capital de risco, que enxergam na indústria de alimentos tradicional um setor ineficiente, desumano e caduco. As empresas têm abordagens diversas, mas compartilham a ambição de criar alimentos à base de vegetais que, segundo elas, serão mais saudáveis, mais baratos e tão saborosos quanto uma comida que leve carne, ovos, leite ou outros produtos de origem animal - e terão um impacto ambiental muito menor.

“A pecuária é uma atividade tremendamente destrutiva e totalmente insustentável. Mesmo assim, a demanda por carne e leite está em alta”, diz Patrick Brown, fundador de uma dessas startups, a Impossible Foods, com sede em Redwood City, no coração do Vale. A empresa captou US$ 75 milhões para desenvolver imitações de carne e queijo à base de vegetais.

Segundo as Nações Unidas, a pecuária ocupa 30% da superfície degelada do planeta e é responsável por 14,5% de todas as emissões de gás estufa. Produzir carne também implica abastecer os animais com enormes quantidades de comida e água. Nos EUA, para cada 1 kg de animal vivo normalmente são necessários 10 kg de ração na bovinocultura, 5 kg na suinocultura e 2,5 kg na avicultura. Por outro lado, a população mundial deve passar dos 7,2 bilhões de pessoas atuais para mais de 9 bilhões em 2050 - e o consumo de carne tende a aumentar na mesma proporção. Para atender a demanda, a produção de alimentos terá de crescer significativamente.

É um desafio enorme, mas também uma boa oportunidade econômica. “Sempre que você encontra um jeito de usar proteína vegetal no lugar de proteína animal, a eficiência gerada, em termos de energia, de água e de todos os outros insumos envolvidos, é enorme - e no limite isso se traduz em economia de recursos financeiros”, diz Ali Partovi, um investidor de São Francisco que detém participações em startups como Dropbox e Airbnb, assim como em meia dúzia de empresas envolvidas na produção sustentável de alimentos.

O problema é que muitas pessoas fogem dos vegetais e dão preferência à carne, aos seus derivados e aos laticínios. Brown, entre outros empresários do ramo, acha que a solução é reproduzir com vegetais o sabor da carne, excluindo o elemento animal da equação. Dessa forma, pelo menos em tese serão usados menos recursos para produzir mais que a quantidade necessária de comida para alimentar todo mundo. “Estamos reinventando a maneira de transformar vegetais em carne e leite”, diz ele. Outras startups tem aspirações semelhantes. A Beyond Meat, que produz “nuggets” e “carne moída” à base de vegetais já comercializa seus produtos em supermercados. O mesmo faz a Hampton Creek, cuja maionese sem ovos é sucesso absoluto na rede americana Whole Foods Market.

Além do vegetarianismo. Como é sabido, as gigantes da indústria de alimentos já oferecem diversas alternativas para os derivados de carne e leite, e muitos vegetarianos e veganos os consomem. A diferença na nova abordagem é que essas startups não têm como público-alvo o pequeno porcentual da população que já vive com uma dieta majoritariamente à base de vegetais. Os consumidores que eles querem atingir são as pessoas que não se fartam de consumir carne e laticínios, e, para tanto, é fundamental imitar os sabores suculentos e as texturas cremosas que tantas pessoas adoram. “Queremos ter um produto que alguém louco por hambúrgueres diga que é melhor que todos os hambúrgueres que ele já comeu”, diz Brown.

Isso também é diferente de “cultivar” carne num laboratório usando a engenharia de tecidos, que envolve o emprego de culturas de células retiradas de animais vivos. A empresa nova-iorquina Modern Meadow investe nessa tecnologia, embora seu objetivo mais imediato seja produzir couro cultivado.

Criar uma nova categoria de alimentos é arriscado, pois consome altas doses de tempo e dinheiro. As gigantes do setor preferem adquirir produtos inovadores, em vez de desenvolvê-los internamente, explica Barb Stuckey, gerente de inovações da Mattson, uma consultoria do ramo de alimentos e bebidas com sede na Califórnia que vem desenvolvendo muitos produtos novos. “Só mesmo alguém de fora para dar uma sacudida na indústria de alimentos”, conjectura ela.

O negócio já atraiu um número considerável de renomados grupos e investidores de capital de risco, incluindo Kleiner Perkins, Google Ventures, Andreessen Horowitz, Khosla Ventures, Bill Gates e outros. “Se você for capaz de oferecer um alimento (à base de vegetais) mais saudável, com sabor igual ou melhor, a um custo igual ou menor, o sucesso é garantido”, diz Samir Kaul, do grupo Khosla. Se as companhias que têm recebido esses investimentos derem certo, os retornos podem ser fantásticos. A indústria americana de carne vale, sozinha, US$ 88 bilhões. E mesmo no caso de condimentos, como a maionese, o mercado chega a US$ 2 bilhões. Apesar disso o entusiasmo não é generalizado. Esses empreendimentos comportam risco elevado e alguns podem fracassar, adverte Michael Burgmair, da Silverwood Partners, um banco de investimentos com dezenas de negócios no setor de alimentos e bebidas. Segundo Burgmair, a questão é: “Será que os consumidores estão prontos para alguns desses produtos?”

A resposta de Brown, da Impossible Foods, é afirmativa. Inventor de um DNA-chip (também conhecido como DNA microarray, ou biochip) hoje largamente utilizado na análise de expressão genética, sua empresa vem desenvolvendo imitações de carne e queijo à base de vegetais há três anos. No caso da carne, o objetivo é recriar seus componentes essenciais - tecido muscular, conjuntivo e adiposo - usando substâncias vegetais. O primeiro produto da empresa é um hambúrguer que já tem aparência de carne, tanto cru, como cozido, e que, quando chegar ao mercado, vai ser tão ou mais gostoso que um hambúrguer de carne tradicional, promete Brown.

Para tanto, ele montou uma equipe comparável às que trabalham em companhias farmacêuticas e de biotecnologia. A maior parte é constituída de biólogos moleculares e bioquímicos. Há também físicos. Mas só um grupo reduzido é composto de indivíduos com formação em ciência dos alimentos ou treinamento culinário. No laboratório da empresa, os cientistas quebram substâncias vegetais e extraem delas proteínas individuais com propriedades funcionais capazes, por exemplo, de fazer com que um alimento ganhe ou perca consistência ao ser levado ao fogo.

Os cientistas da Impossible Foods também passaram muito tempo tentando descobrir o que confere à carne seu sabor inconfundível. Segundo Brown, o segredo do sabor de um hambúrguer está na heme, um composto presente em todas as células vivas, incluindo as vegetais. É também a heme que dá aos hambúrgueres sua coloração avermelhada. No processo de cozimento, ela atua como um catalisador que ajuda a transformar os aminoácidos, vitaminas e açúcares do tecido muscular em inúmeras moléculas voláteis e dotadas de sabor, explica ele. Para que seus hambúrgueres tenham o sabor suculento da carne, a Impossible Foods usa uma proteína heme equivalente a um composto desse tipo encontrado nas raízes dos legumes.

O desenvolvimento do hambúrguer já avançou muito. Brown diz que o primeiro protótipo criado pela empresa foi comparado a uma “polenta rançosa”. Versões mais recentes receberam críticas bem mais favoráveis e houve quem dissesse que eram “melhor que hambúrguer de peito de peru”. Em termos nutritivos, o conteúdo proteico do hambúrguer da Impossible Foods talvez seja ligeiramente mais elevado que o do hambúrguer convencional, ao passo que a quantidade de micronutrientes no produto à base de vegetais é no mínimo igual à presente no de origem animal. Além disso, por ser feito de vegetais, ele não contém vestígios de antibióticos, hormônios ou colesterol. A empresa trabalha com a expectativa de começar a comercializar o hambúrguer no fim deste ano.

Pegando gosto. A Beyond Meat, sediada no sul da Califórnia, também realiza estudos sobre os componentes da carne a fim de reproduzir sua textura e sabor. “Já sabemos o bastante para compreender a arquitetura e a composição de um pedaço de músculo”, diz o CEO da empresa Ethan Brown (nenhum parentesco com o Brown da Impossible Foods). O carro-chefe da Beyond Meat são os Beyond Chicken Strips, comercializados desde 2012, que apresentam uma textura surpreendentemente autêntica ao serem consumidos. Quando, por engano, diversos pontos de venda da Whole Foods Markets puseram à venda algumas saladas de frango preparadas com os nuggets à base de vegetais da empresa, não houve queixas. Só dois dias depois um funcionário descobriu o erro, e então as saladas foram oficialmente submetidas a um recall. A textura do produto é o resultado de anos de pesquisas conduzidas na Universidade do Missouri. Agora ela pode ser reproduzida por meio de um processo que dura menos do que dois minutos: um extrusor rapidamente aquece, resfria e pressuriza uma mistura de proteínas e outros ingredientes numa estrutura que imita o tecido fibroso de um músculo.

O mais novo produto da empresa, Beast Burger, foi lançado em fevereiro. Contém mais proteína, mais ferro e é, no conjunto, mais nutritivo que os hambúrgueres feitos com carne de verdade. “A obsessão por carne no fundo corresponde, na história da evolução humana, à busca de uma fonte alimentar rica em nutrientes”, explica o CEO. “Eu quis usar essa ideia como ponto de partida e elaborar em cima dela.”

Mas convencer os carnívoros a comprar hambúrgueres à base de vegetais não é tarefa fácil. “A impressão que eu tenho é que carne é um negócio meio masculino. Não dá pra vender do mesmo jeito que você vende alface”, diz Brown. Por isso, a empresa quer construir sua marca com imagens de vitalidade, boa forma física e saúde. Atletas são usados em suas campanhas publicitárias. David Wright, capitão da equipe de beisebol New York Mets, já está no elenco. Em troca, ele receberá uma pequena participação acionária.

Ainda em desenvolvimento está o que talvez seja o produto mais ambicioso criado até hoje pela Beyond Meat - um equivalente de carne moída crua que a companhia pretende vender nas seções de carne dos supermercados, lado a lado com carne de verdade. Essa carne moída à base de vegetais deve ser lançada ainda este ano e poderá ser cozida e preparada em forma de bolo de carne ou de almôndegas. Não se descarta a possibilidade de que alguma cadeia de fast-food queira usá-la na preparação de seus hambúrgueres.

A Hampton Creek, de San Francisco, usa proteínas vegetais no lugar de ovos nos produtos que já lançou. Sua maionese Just Mayo e sua massa pronta para cookies Just Cookie Dough são comercializadas em 30 mil estabelecimentos, incluindo as redes Kroger e Walmart. A empresa agora trabalha no desenvolvimento de um molho para salada tipo ranch e em versões vegetais de ovos mexidos e macarrão. O objetivo é criar produtos que estimulem as pessoas a substituir itens convencionais por alimentos sustentáveis, à base de vegetais. “A mudança acontece quando você faz uma coisa tão gostosa e a um preço tão acessível que ninguém resiste a experimentá-la”, diz o presidente da empresa Josh Tetrick.

Para conseguir isso, a Hampton Creek montou uma equipe que inclui especialistas em bioquímica, bioinformática e ciência dos alimentos, além de alguns chefs. Os cientistas da empresa extraem e isolam proteínas de substâncias vegetais e realizam análises bioquímicas básicas para entender suas características e possíveis aplicações em diversos alimentos. As mais promissoras são testadas em receitas preparadas nas seções de padaria e culinária da empresa.

Até agora foram analisadas mais de 7 mil amostras de vegetais e identificadas 16 proteínas que podem ter alguma utilidade em aplicações culinárias. Algumas já são usadas em produtos alimentícios comercializados pela empresa, como é o caso de um tipo de ervilha amarela canadense que entra na composição da maionese Just Mayo. Os cientistas da Hampton Creek buscam proteínas com propriedades funcionais, como as de ação espumante, gelatinosa e de retenção de umidade. A maionese, por exemplo, precisa de uma substância que combine a quantidade certa de óleo com água a fim de criar uma emulsão estável. Para chegar à versão atualmente vendida nos supermercados, a companhia testou mais de 1,5 mil fórmulas diferentes.























Fonte: Jornal Estadão