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domingo, abril 12, 2015

Crise da água empurra Brasil em direção à energia solar




A seca devastadora que afeta o Brasil pode ter a consequência inesperada de, finalmente, fazer um dos países mais ensolarados do mundo levar a energia solar a sério. A combinação de uma crise energética iminente provocada pelos níveis baixos dos reservatórios com a nomeação de um ministro de energia com mente mais aberta promete uma rápida mudança na situação.

A seca, que produziu a crise no abastecimento de água, tem baixado dramaticamente os níveis dos reservatórios que abastecem dezenas de usinas hidrelétricas nas regiões sudeste e centro-oeste do Brasil, área mais populosa e importante para a economia do país. 
Como logo mais começa o período de seca de sete meses, quando a chuva é tradicionalmente escassa, os reservatórios da região afetada pela seca podem baixar para menos de 10% da sua capacidade, o que o novo chefe do Ministério de Minas e Energia (MME), Eduardo Braga, admite ser “catastrófico” para a segurança energética.

Isto significa que planos para introduzir a energia solar na matriz energética estão finalmente sendo considerados na busca de alternativas à geração hidrelétrica, na qual o país se baseia para produzir mais de 70% de sua eletricidade. A contribuição da energia eólica produzida no Nordeste e no Sul, começou a crescer, mas a energia solar, apelidada de “uma fantasia” pela presidente Dilma Rousseff há apenas alguns anos atrás, tem sido ignorada.

No entanto, Braga anunciou planos para transformar dezenas de usinas hidrelétricas — que correm o risco de se tornar elefantes brancos com a diminuição de suas águas — em fazendas de energia solar. Segundo os planos, milhares de painéis solares flutuando sobre bóias seriam lançados sobre a superfície dos reservatórios em baixa para aproveitar a energia do sol.

Técnicos do MME calcularam que poderiam adicionar até 15 mil megawatts (MW) de potência, o que é mais do que a capacidade máxima de duas das mais recentes mega-hidrelétricas que o país está construindo na Amazônia: Jirau, no rio Madeira, e o polêmico projeto de Belo Monte, no Xingu. Os painéis solares teriam a vantagem adicional de reduzir a evaporação da água, enquanto, ao mesmo tempo são arrefecidos por esta, o que aumenta a eficiência de conversão da energia solar em energia elétrica.

Os projetos-piloto estão prestes a serem iniciados em duas barragens de propriedade de empresas estatais: Sobradinho, no rio São Francisco, Bahia, e Balbina, no rio Uatumã, Amazonas. Se forem bem sucedidos, os painéis solares serão introduzidos nas barragens das regiões oeste, sudeste e centro.

O Brasil não será o primeiro país a experimentar gerar energia solar em painéis flutuantes. A Austrália está testando isso sobre superfície de uma instalação de tratamento de águas residuais em Jamestown, South Australia. Lá a energia solar vai alimentar a própria planta de tratamento de águas. E no Japão, o governo da província de Chiba, a leste de Tóquio, anunciou em janeiro passado que vai construir uma usina solar flutuante no reservatório de Yamakura, que terá uma área de 180 mil metros quadrados e gerará energia elétrica para 5.000 famílias.

Para acelerar a entrada em produção de novas usinas solares Braga tem prometido incentivos fiscais para a produção de painéis fotovoltaicos e planeja introduzir novas regras para incentivar o uso destes painéis em edifícios com grandes áreas de cobertura.

Mais dois leilões de energia solar devem ser realizados este ano. No primeiro leilão deste tipo, realizado no final do ano passado, 31 usinas de energia solar foram escolhidas para fornecer uma capacidade total de 1.048 MW em 2017. O preço foi um pouco menor que US$ 90 por MW — entre os mais baixos do mundo.

No momento, a potência instalada de geração de energia solar no Brasil é da ordem de pífios 15MW, em grande parte instalados nos telhados dos estádios de futebol construídos para a Copa do Mundo de 2014. Porém o potencial brasileiro de geração de energia solar, de acordo com alguns analistas, é equivalente a 20 vezes a atual capacidade total instalada de geração de energia elétrica.

Os fatores que contribuíram para o baixo custo da energia solar neste último leilão são a forte radiação solar incidente na maioria do território brasileiro e o fato de muitos dos parques solares participantes do leilão serem projetados para as mesmas áreas dos atuais parques eólicos, reduzindo assim o custo de aquisição de terreno e de implantação de novas linhas de transmissão.

Os contratos de 20 anos para o abastecimento de energia envolvem investimentos da ordem de US$ 1,67 bilhões, e muitas empresas estrangeiras já estão se acotovelando para conseguir um lugar ao sol no Brasil, no que promete ser um mercado em rápida expansão dentro de alguns anos.

Empresas espanholas, canadenses, americanas, italianas e chinesas já colocaram um pé na porta. E, logo que o governo e o BNDES apresentarem as prometidas isenções e linhas de financiamento, o setor de energia solar pode decolar.

Enquanto espera para ver se o experimento solar sobre os reservatórios funciona, o governo torce para que o consumo de energia seja reduzido por meio de campanhas publicitárias e aumentos de preço. A desaceleração da economia, com pouco ou nenhum crescimento esperado para este ano, também deve ajudar, assim como o aumento da utilização de termelétricas, alimentadas por gás natural, carvão mineral e óleo diesel, que aumentaram sua contribuição à rede nacional em 20%.

Estas termelétricas têm operação cara, usam combustíveis fósseis e, portanto, emitem carbono à atmosfera. Devem ser ser remetidas à história quando a energia solar incorporar-se definitivamente à matriz energética brasileira.


Por Climate News Network; traduzido e adaptado por Delcio Rodrigues.

quinta-feira, abril 02, 2015

Crise hídrica: obras de anel rodoviário de R$ 6,8 bi afetam rios e nascentes em SP

Promotores do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) suspeitam de falhas em licenças ambientais relacionadas a um túnel que desabou em dezembro no Trecho Norte do Rodoanel  rodovia de 44 quilômetros, orçada em R$ 6,8 bilhões, que cruza áreas de preservação ambiental na Serra da Cantareira. Por meio de blogs, redes sociais e vídeos no YouTube, a população local alega que mais de 100 nascentes teriam sido soterradas durante a construção da rodovia. Entre pilares de concreto, aterros e túneis, a reportagem flagrou um vazamento em uma nascente desviada pela construção, além de acúmulo de sedimentos no fundo de córregos. À BBC Brasil, a Secretaria de Transportes do governo paulista negou soterramentos e reconheceu "efeitos temporários" sobre as águas, que não fazem parte do Sistema Cantareira e desembocam atualmente no rio Tietê.

Montagem mostra rio desviado por aterro construído para pistas do Rodoanel em área de preservação (Foto: Ricardo Senra/BBC Brasil)
"Vira esgoto e poderia ajudar no abastecimento da cidade", reclamam moradores do Horto Florestal, bairro vizinho à construção. A administração de Geraldo Alckmin diz que trabalha para "reduzir ao máximo o impacto residual da obra" ─ que seria inaugurada neste ano mas foi adiada para o primeiro semestre de 2017.  Em entrevista à BBC Brasil, Laurence Casagrande, presidente da Dersa (empresa de desenvolvimento rodoviário do governo estadual), defendeu o empreendimento e afirmou que todas as investigações anteriores do MP foram julgadas improcedentes pela Justiça paulista. Responsabilidade do governo de São Paulo, a obra tem apoio financeiro do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do governo federal. Licenciado pela companhia de saneamento estadual Cetesb e aprovado pelo Ibama, o trecho final do anel rodoviário não tem efeitos diretos sobre os reservatórios do sistema Cantareira mas recebe críticas por seu impacto na bacia hidrográfica da região.

Imagem das obras no lote 5 do Rodoanel Norte - cronograma para término das obras, agora marcado para o primeiro semestre de 2017, foi alterado pela quarta vez (Foto: Ricardo Senra/BBC Brasil)
"A cada 50 metros existe uma pequena nascente ali. A obra corta, e corta muito, os mananciais da serra", diz o ambientalista Carlos Bocuhy, membro do Conselho Nacional de Meio Ambiente, em Brasília. O presidente da Dersa, responsável pela obra, recebeu a reportagem da BBC Brasil em seu gabinete, no 10º andar de um edifício na zona sul da cidade. Laurence Casagrande diz que a "Justiça comprovou a regularidade do Rodoanel" e que discorda dos efeitos apontados pelo MP e por entidades de defesa ambiental.

Obra do Rodoanel Norte está orçada em R$ 6,8 bilhões - construção do Rodoanel completo é tocada pelo governo de São Paulo há 17 anos (Foto: Ricardo Senra/BBC Brasil)
"Esta obra é exemplo internacional em preservação", diz, em frente a um cartaz do empreendimento. "Não estou dizendo que existe, mas se houver um soterramento de nascente, essa água vai sair por algum lugar. Deixar isso acontecer poderia prejudicar a própria obra." O executivo ressalta o legado da rodovia. "Vai haver alguma modificação? Sim, vai haver modificação. Ficará tudo igual ao que era antes? Não, não vai ser tudo exatamente igual. Mas entende-se que os benefícios que a obra traz compensam esses pequenos impactos, mesmo aqueles que permaneçam", afirma Casagrande. O trecho norte completa o projeto "Rodoanel Mário Covas", autoestrada de 177 quilômetros, cuja construção começou em 1998 para aliviar o trânsito nas avenidas marginais que cruzam a cidade. Segundo a Dersa, depois de pronta, a via em construção poderá retirar até 17 mil caminhões que circulam todos os dias pela marginal Tietê.
O geólogo Antônio Manuel dos Santos Oliveira, coordenador do Laboratório de Análise Geoambiental da Universidade de Guarulhos - cidade atravessada por 53% do Trecho Norte do Rodoanel -, no entanto, afirma que, diante da crise hídrica, todas as fontes de água disponíveis deveriam ser aproveitadas. "Hoje em dia cada gota d'água conta, não? Se é recomendado que fechemos a torneira para escovar os dentes, seria bom que estes pequenos recursos fossem privilegiados ao invés de sofrer com os impactos de uma obra como esta", diz. Entre as possibilidades de uso dos rios afetados pela obra estaria a redistribuição do sistema de abastecimento em pequenos reservatórios regionais. A iniciativa, segundo ambientalistas, poderia aliviar o sistema Cantareira (hoje com 19% de sua capacidade máxima) e permitir diversidade de fontes hídricas em tempos de seca.
Governo do estado de São Paulo afirma que o traçado escolhido para o trecho "não prejudica mananciais de abastecimento" (Foto: Ricardo Senra/BBC Brasil)
Junto a moradores da região e à Dersa, a reportagem da BBC Brasil visitou diferentes canteiros de obras ao redor da Serra da Cantareira durante a última semana para verificar o estado dos rios que cruzam a construção. Engenheiros do governo e técnicos ambientais da OAS, construtora responsável por dois trechos da obra, conduziram a visita ao primeiro canteiro, no lote 2 do Rodoanel Norte. Ali, apresentaram ferramentas como réguas para controle e medição de assoreamento em rios, caminhos e tubulações de concreto para desvio de cursos d'água e plantações de mata ciliar para proteção de córregos. A reportagem pediu para visitar a área que abriga os destroços de um túnel que desabou em dezembro do ano passado dentro de uma área de preservação permanente em Guarulhos.

Quatro meses depois do desabamento do túnel, as obras estão paralisadas e não existe laudo apontando as causas do acidente. Procurado, o IPT (Instituto de Pesquisa Tecnológicas), responsável pela elaboração do laudo, disse que "os trabalhos das equipes naquele local estão em andamento, não havendo até o momento previsão de prazo para conclusão e entrega do relatório final". Na área do túnel destruído, a BBC Brasil encontrou cursos d’água cercados por morros aterrados por tratores, sem controle de assoreamento. Um vazamento em frente aos destroços espalhava a água drenada de dentro de um morro para o meio do canteiro de obras surpresa também para os técnicos que acompanhavam a visita. Segundo Casagrande, os problemas encontrados pela reportagem são temporários. "Esta é uma situação transitória, que precisa ser consertada, e imagino que seja corrigida rapidamente", diz. "Antes esse rio passava ali em cima. Era tudo mato, a gente tomava banho nele. Agora é só terra e não dá para molhar nem a canela", diz vizinha à obra.

(Foto: Ricardo Senra/BBC Brasil)
O presidente da Dersa lembra que todos os canteiros de obras contam com fiscalização ambiental. "Se houvesse um crime ambiental ali, a construção seria embargada", diz.

O promotor de Justiça Ricardo Manuel Castro, do Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público de SP, investiga os impactos ambientais da construção desde o período anterior ao início da obra.

À BBC Brasil, por telefone, Castro disse que o "desmoronamento pode ter ocorrido por insuficiência dos levantamentos que ensejaram o registro ambiental". Daqui duas semanas, o promotor se reunirá com o governo para "discutir os impactos decorrentes da paralisação (das obras na região do túnel), impactos ambientais recorrentes dos desmatamentos já feitos e a continuidade destas obras de impacto." Água e barroAmbientalista Elisa Puterman e o índio guarani Lenildo Wassu: "Esta cratera foi um rio que era usado pelos índios".

Foto: Lucio Tamino
Em frente a um córrego de água barrenta que corria pela lateral do aterro construído para a passagem das pistas, a reportagem encontrou duas irmãs. "Antes esse rio passava ali em cima. Era tudo mato, dava para tomar banho nele. Agora é só terra e não dá para molhar nem a canela", diz uma delas.

A Dersa afirma que todos os desvios em rios são autorizados pela Justiça. "Temos outorga para todas as interferências em cursos d'água. Fazemos a intervenção e devolvemos na condição mais próxima possível da original", diz o presidente da companhia. Morador diz que nesta área existiam um córrego e uma nascente, que teriam sido aterrados.

Foto: Portal ZNnaLinha
"É preciso avaliar também que talvez parte dessa diminuição venha da falta de chuva no ano passado e o morador não saiba diferenciar", justifica Casagrande.

Inimiga feroz da obra, a editora e ambientalista Elisa Puterman, que mora a poucos metros da construção, chora ao mostrar as enormes pilastras que cortam a mata dos fundos de sua casa. "Estão implodindo a Cantareira", diz. "Isto é uma área de preservação, ajuda na umidade, no resfriamento da cidade. Veja aquele rio: era caudaloso, intenso. Agora é só barro." Junto ao índio guarani Lenildo Wassu, que mora em uma reserva próxima, ela diz ter identificado uma das nascentes soterradas no bairro Ponte Alta, em Guarulhos. Segundo a Dersa, a nascente registrada nas fotos está localizada a "aproximadamente 25 metros ao sul do limite de interferência da obra".

Com as informações BBC News

sexta-feira, março 13, 2015

Contra crise,governo de São Paulo quer tratar água do rio Pinheiros.

Traçado natural do rio Pinheiros em relação ao traçado atual.
O governo paulista pretende tratar a água suja do rio Pinheiros para aproveitá-la no abastecimento da população. A declaração foi feita pelo secretário de Recursos Hídricos, Benedito Braga, nesta segunda (9), ao programa "Roda Viva", da TV Cultura. O tratamento seria feito no próprio curso do rio, entre as usinas de Traição e Pedreira, no limite com a represa Billings, zona sul de São Paulo.

Segundo ele, a ideia é retomar um projeto que já consumiu R$ 160 milhões e foi abandonado duas vezes, em 2003 e em 2011 –nos dois casos, em gestões do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Após dez anos de investimentos do Estado e da Petrobras (R$ 80 milhões de cada), o projeto não conseguiu limpar de maneira satisfatória a água do Pinheiros. Testes apontaram que ele não eliminava o nitrogênio amoniacal, que permite a proliferação de algas que podem liberar toxinas nocivas à saúde.

Uma grande quantidade de lodo gerada no processo está estocada até hoje em uma área próxima da Billings. A remoção só começou em junho. O processo busca, por meio de produtos químicos, agrupar a sujeira em flocos. Depois, bolhas de oxigênio são injetadas no fundo do rio, fazendo a sujeira subir até a superfície para que possa ser retirada.

O secretário afirma que, atualmente, existem processos mais modernos de flotação, capazes de retirar esses resíduos do rio. Segundo Braga, a ideia é lançar a água na represa e captar essa mistura, que seria tratada como a água de um rio qualquer. "A Sabesp está em discussão com o empreendedor que fez o teste [em 2011] para retomar esse processo. Há novas tecnologias e temos esperança de deixar o reservatório Billings bonitinho", disse.

Para Eduardo Cleto Pires, professor da USP de São Carlos especializado em tratamento de água, o risco é o de espalhar os resíduos do rio Pinheiros por outros mananciais da Grande São Paulo. "A medida só está sendo tomada para o abastecimento humano porque estamos em um momento de crise. O problema é que isso se torne permanente, mesmo depois dessa crise", disse ele.

Com as informações: Folha de São Paulo.

Os rios de São Paulo.


Notícias da crise de água de São Paulo tem, até agora, se espalhado. Mas, embora a palavra "seca" esteja muito em uso, e apesar da grave falta de chuva ser um dos muitos fatores em jogo, quando se trata de escassez real de água, a verdade é como acontece com quase tudo nesta metrópole é complicado mesmo.

Há uma riqueza de água em São Paulo: a chuva de fim de tarde que banha a cidade quase todos os dias no verão tem sido muito rara nestes dois últimos anos; Recentemente durante uma tempestade torrencial em que caiu a metade da chuva esperada para todo o mês de fevereiro caiu no espaço de apenas algumas horas.


Quando a tempestade atingiu o centro de São Paulo, o terminal de ônibus na Praça Pedro Lessa, no Vale do Anhangabaú, foi rapidamente inundada. Tristeza para alguns usuários dos ônibus  olhando melancolicamente das janelas, a velocidade da enxurrada na superfície  impermeável toda concretada da capital impulsiona canais perigosos, níveis de movimento rápido, que causam enchentes e deslizamentos de terra, mesmo em alguns bairros, assim como milhões habitantes tem que lidar com as inundações e ao mesmo tempo com o limitado abastecimento de água que atinge os moradores.

Água, 
é sem surpresa um tema de discussão incessante entre os moradores, e fonte de considerável da ansiedade coletiva. E, para alguns, incluindo um punhado de bem informadas amadores observadores de água, tornou-se uma obsessão que alteram a vida. Em aventuras que narra em sua página no Facebook, EXISTE Água em SP ("Não há água em SP"), o caçador rio Adriano Sampaio é um expedicionário urbano, andando incansável pela cidade em busca de rios e nascentes perdidos, e postar um fluxo constante de vídeos para a sua página. Ele e seu amigo Ramon Bonzi, urbanista, usam mapas de 1930 colocados sobre mapas das ruas de São Paulo para rastrear rios escondidos e esquecidos, espiando por cima paredes, levantando as tampas de esgoto e escalando sobre o mato em busca de rios, córregos e nascentes. "Nós sempre encontramos alguma coisa", diz Sampaio. 

Em um post recente filmado no bairro operário de Cidade Antonio Estevão de Carvalho, ele mostra moradores pescam em um lago criado pela comunidade, e relatórios sobre fluxos de mato, negligenciada e no esgoto bruto infiltrar nos cursos de água, "em linha reta a partir do sistema de esgoto público".  Em uma expedição de Pirituba, no norte da cidade, Sampaio bebeu de uma fonte usada pela comunidade para obter água potável, e tornou-se tão mal que ele acabou no hospital. "É vital que as diferentes nascentes e fontes de água ao redor da cidade sejam testados e classificadas para que as pessoas saibam o que usar cada fonte pode seguramente ser colocado para" diz ele.

São Paulo tem cerca de 300 cursos de água com o nome, diz Campos, e provavelmente mais perto de 500 no total. Um mapa coletivo usado pelos Rios e Ruas mostra a cidade parecendo um órgão vital, envolto em um web azul de vias - uma rede de rios e córregos em sua maioria enterrados num total de mais de 3.000 km. "Há uma abundância de água em São Paulo", diz de Campos. "É apenas muito mal gerido". Sampaio, ao longo da vida uma amante da natureza, foi inspirada primeiro a ação em 2013, depois de uma descoberta da possibilidade que ele fez durante a caminhada em um pequeno parque, Praça Homero Silva, perto de onde ele cresceu no bairro da Pompéia. "Eu percebi que o chão estava enlameado, e eu comecei a cavar", lembra ele.

Em poucos minutos, a água começou a escorrer da terra. Sampaio cavou outro buraco e a água brotou do chão, ele era viciado. Definindo a trabalhar para canalizar a água das várias nascentes que ele descobriu no parque, ele silenciosamente criou uma pequena lagoa, sem permissão, na parte inferior do parque; e em julho de 2014, com a ajuda de amigos e simpatizantes, uma segunda lagoa, ao lado do primeiro. "Nós só usamos materiais que encontramos na área", diz ele.

As lagoas que eles escavaram levaram vários meses para encher, mas hoje, estão cheios de vida da planta e em torno da água, e repleto de peixes - cerca de 10 espécies introduzidas por Sampaio, incluindo tilápia gordura e carpa, peixe cascudo, peixe Vidro, paulistinha, Espadinha e minúsculo Guarú este último é excelente para comer mosquitos e suas larvas, e, assim, combater a propagação da dengue, que está em ascensão na cidade como um resultado de milhões de litros de água acumulados. As lagoas de atrair todos os tipos de pássaros, e eles também atrair as pessoas: "As pessoas estavam com um pouco de medo de vir ao parque antes", diz Sampaio.


Abundância de água do parque não é nenhuma surpresa para os seus vizinhos, muitos dos quais tiveram molas em seus quintais para as gerações. Em uma casa simples, cuja parede traseira faz fronteira com o parque, a poucos metros dos tanques de peixes, Eli Maria Jose Salis e sua família têm desfrutado de um fornecimento constante de água de nascente, executar a partir do parque em uma tubulação que leva a um segundo tanque de água, por mais de 30 anos.

O que será que eles precisam para completar o abastecimento de água que recebem da SABESP conselho de água privatizada da cidade? "Não, nós vemos que há abundância de água na cidade", diz Salis. "É que nós temos toda esta água, e não seria certo desperdiçá-la." A SABESP, no entanto, perde mais de 30% da água potável tratada em sua rede de distribuição, como resultado de vazamento massivo de tubos deteriorados, bem como o roubo em ligações clandestinas.

O grup EXISTE Água em SP e Rios e Ruas, também está em busca de mais rios. Em uma série de urgentes "mega-projetos" destinadas a driblar a escassez de abastecimento de água de São Paulo, o governo está trabalhando em um projeto para reverter o curso do Rio São Lourenço, e para desviar milhões de litros de água dos rios Paraíba do Sul, guaio, Juquiá e Itatinga, canalizando a água para a cidade de sistemas de reservatórios do Alto Tietê e Cantareira de São Paulo. Governador do estado, Geraldo Alckmin está esperando que as medidas irão banir o espectro de um racionamento draconiano de cinco dias sem água e 
dois dias com água, que ainda se os reservatórios não tiverem recuperado o suficiente até o início da estação seca, em Abril deste ano.

"As autoridades só parecem capazes de conceber obras de construção maciça, custando bilhões", diz Sampaio. "Mas eles não estão ainda garantidos para o trabalho - muitos desses rios estão com níveis 
extremamente baixo de água." Sampaio desistiu do seu emprego como vendedor de seguros no ano passado, depois de 20 anos, para se dedicar ao ativismo ambiental em tempo integral. Como estamos em um pedaço de terreno baldio acima do parque, tendo em vista através de Pompéia, ele expõe sobre a necessidade urgente de reflorestamento, e sobre o tema da "parques lineares" ao longo de rios e córregos, que criam lagos, lagoas e órgãos da água capaz de reter as águas pluviais e de águas pluviais, bem como lugares para as pessoas a sentar, caminhar e pedalar em paz.


Água escorrendo de lençol freático na rua Augusta em 1970
"Eu quero ajudar a lembrar às pessoas de que rios e córregos são, o que são as molas", diz ele. "Nós parecemos ter esquecido que somos parte da natureza", diz ele, "mas o fato é que estamos cercados por ela, mesmo quando não podemos vê-la." Não faz sentido deixar que água útil simplesmente escorrer rua abaixo, diz ele. Não deve ser uma questão difícil, para que a cidade que começa a classificar, armazenar e usar um pouco de sua água subterrânea, mesmo que não seja para beber, mas para centenas de outros usos. Por agora, muitas pessoas estão levando o assunto em suas próprias mãos, e fazendo uso do que a água que podem.

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A tabela água transbordando em que São Paulo se senta faz sua existência planície nas sarjetas de inúmeras ruas da cidade, jorrando para baixo canais tão bem atravessadas que alguns dos lancis são verde brilhante, com musgo. A uma taxa de até 5.000 litros por hora, a água clara, a maioria de qualidade razoável, é incessantemente bombeado desde as entranhas de edifícios cujas fundações foram perfurados a tabela de água, muitas vezes como resultado de parques de estacionamento subterrâneos.

Com a escassez agora em pleno vigor, alguns dos que a água agora está sendo capturado por particulares e moradores para o uso em não potável para regar plantas, roupas, quintal, descargas e lavar carros. A maioria, no entanto, é canalizada diretamente para o sistema de águas residuais, onde se mistura com o esgoto antes de encontrar o seu caminho para o Pinheiros e o Tietê - dois interconectados, rios seriamente poluídos, que infelizmente escapam pela cidade, preso entre 12 faixas de tráfego nas Marginais.

O Pinheiros, uma vez que uma exuberante curva, classicamente planícies serpentina rio, foi canalizado para longos trechos retos desde os anos 1940, e até hoje, recebe as descargas de esgoto bruto em vários pontos ao longo do seu lento, trajetória fétido - incluindo, de acordo com De Campos , a partir do chique shopping center Cidade Jardim. Não há previsão, diz ele, para o tratamento de águas residuais ao longo de todo esse trecho da margem esquerda do rio.

"As pessoas gostam de lamentar que os rios estão poluídos, como se fosse um fato consumado", diz ele. "Mas não é assim que funciona. . O problema é que nós estamos poluindo-los agora "De acordo com Campos, a limpeza das vias, incluindo as moribundas Marginais Pinheiros e Tietê, é muito mais simples do que parece: parar de poluir-los, começando pelos córregos. "Os rios são mais do que capazes de se auto limpar", diz ele, "se nós apenas dar-lhes a oportunidade."




Treduzido da publicação original em: The Guardian

quinta-feira, fevereiro 26, 2015

Seca na Califórnia estimula vida em Ecovilas

Num bairro de San Mateo, na Califórnia, duas casas conjugadas se distinguem das vizinhas. Nelas, em vez dos tradicionais gramados das casas de subúrbio americano, há hortas e pomares que alimentam as dez famílias que ali vivem. Nos fundos do complexo, flores e frutos atraem pássaros e abelhas, que se agrupam numa colmeia à beira de uma lagoa salobra. É inverno e as águas da lagoa estão baixas, como estão baixos os reservatórios da Califórnia após três anos de seca. Mas para Sanda Everette, fundadora da comunidade, os tempos são de abundância.
"Hoje posso passar o ano inteiro sem ter de comprar qualquer produto agrícola", diz a professora aposentada, rodeada por ameixeiras carregadas e pés de dezenas de variedades de verduras e legumes. Faz quase vinte anos que Everette e seu marido, Brian, se instalaram ali, inspirados pelos ideais da Contracultura dos anos 1960. Queriam viver numa comunidade, trabalhar a terra, tomar decisões em conjunto. Rejeitavam o consumismo do "sonho americano" e temiam seus efeitos no equilíbrio ecológico do planeta.

Com o tempo, outras famílias que partilhavam dos valores foram chegando. A comunidade cresceu, e a Ecovila San Mateo, como acabou batizada, tornou-se um modelo para ambientalistas e moradores que buscavam um estilo de vida mais sustentável e natural nos arredores de San Francisco. Quando a seca na Califórnia alertou os moradores sobre a necessidade de poupar água e reavivou um debate sobre os padrões de consumo dos americanos, Everette sentiu que tinha algo a compartilhar.

A começar por suas formas de economizar água no banheiro. "Nos anos 1970, tínhamos um ditado que dizia: se é amarelado, deixe acumulado; se é marrom, aperte o botão" (Em inglês, "If it's yellow, let it mellow; if it's brown, flush it down"). Seguimos essa regra até hoje. Ela também diz pôr um balde no chuveiro enquanto espera a água esquentar, aproveitando o líquido acumulado para irrigar a horta. Ali na ecovila, diz Everette, não se gasta água regando gramados, e cada gota despejada na horta vai parar no prato dos moradores. Até mesmo as plantas daninhas viram comida para as galinhas, e seu esterco é usado como adubo.

Além das vantagens para a saúde de ter produtos frescos o ano todo, ela diz que as práticas reduzem a dependência da casa por alimentos transportados por longas distâncias – poupando a emissão de combustíveis fósseis ou oriundos do agronegócio – que, segundo Everette, "desperdiça muita água e usa muito agrotóxico". Mas ela acredita que a tecnologia adotada pela casa que pode fazer a diferença para a Califórnia e outras regiões sob secas severas é o sistema aquapônico instalado no quintal. O sistema consiste em dois tanques de água interligados, onde se criam peixes e se cultivam verduras. É uma estrutura circular: as plantas filtram a água para os peixes, e os dejetos dos peixes nutrem as verduras. Nesse sistema, as plantas filtram a água para os peixes, e os dejetos dos peixes nutrem as verduras, Everette explica que, como os tanques estão cobertos, há pouca evaporação e não é preciso adicionar água ao sistema. E assim a casa passou a contar também com uma fonte de proteína animal.
Mudanças climáticas

"Muitas pessoas estão despertando para a necessidade de mudar seus padrões de consumo", diz à BBC Brasil Kate Litfin, professora de ciência política da Universidade de Washington. Litfin publicou no ano passado o livro Ecovilas: lições sobre formas de vida sustentáveis (sem lançamento previsto no Brasil), baseado no período em que viveu em 14 comunidades em cinco continentes. Segundo a Rede Global de Ecovilas, ecovilas são comunidades tradicionais ou intencionais administradas coletivamente e que integram ecologia, economia e cultura para regenerar ambientes sociais e naturais.

Os lançamentos da obra na Califórnia foram especialmente concorridos, diz a professora. "Os eventos estavam transbordando de gente, e todos estavam muito interessados na minha experiência. Tenho certeza de que isso tinha a ver com a seca". Litfin diz acreditar, porém, que o número de comunidades que se definem como ecovilas nos Estados Unidos não tem crescido – e não por falta de vontade, mas porque as terras no país são muito caras. Segundo a Companhia das Comunidades Intencionais, grupo que mapeia vários tipos de comunidades alternativas pelo mundo, há 205 unidades na Califórnia, muitas delas baseadas em princípios sustentáveis. Ainda assim, a professora afirma que "embora não possamos construir novas ecovilas para todos, podemos e devemos integrar seus princípios às nossas vidas. E isso está acontecendo".
Indústria da carne
A 140 quilômetros de San Mateo, na rica cidade de Davis, galinhas ciscavam soltas enquanto três rapazes arrancavam ervas daninhas do quintal de casa. Eram cumprimentados por vizinhos que passavam em shorts e camisetas fluorescentes, exercitando-se no fim da tarde. "É mais difícil plantar a comida que comprá-la, mas quero viver conforme os meus valores", diz David. "É bem mais difícil plantar sua própria comida que comprá-la no supermercado, mas quero viver conforme os meus valores", diz David Abramson, um dos oito moradores da residência. A casa é registrada como uma cooperativa e gerenciada por uma associação filantrópica, que aluga os quartos por preços abaixo do mercado. Para viver lá, deve-se ser estudante ou ter baixa renda, segundo os padrões locais.

Como na Ecovila San Mateo, os moradores ali dizem buscar reduzir ao máximo seu impacto no planeta. Segundo Abramson, quase toda a eletricidade da casa vem de painéis solares e, durante o verão, é comum eles receberem dinheiro da companhia fornecedora de energia elétrica por gerar mais energia do que consumir. Com a seca, diz Abramson, os moradores têm buscado reduzir ainda mais seu consumo de água. Para irrigar a horta, recorrem apenas à água usada para lavar a louça, coletada num balde na pia o detergente é biodegradável. Os moradores da Ecovila em San Mateo buscam 'reduzir ao máximo seu impacto no planeta'

E passaram a evitar comprar alimentos cuja produção consuma muita água, como carne. Abramson conta que ali se consome proteína animal uma vez por mês, quando eles próprios matam as galinhas mais velhas do quintal. Não é uma tarefa fácil, diz ele, já que as aves viraram quase animais de estimação. "Matá-las tem um custo emocional para nós, mas sinto que assim damos a importância devida a esse ato e não o banalizamos." 
Individualismo

Para a professora Karen Litfin, o maior obstáculo para a disseminação de formas de vida mais sustentáveis nos Estados Unidos é o individualismo. "Muitas pessoas ainda querem ter seu próprio carro, seu espaço privado, isso está muito enraizado na psique do estilo de vida americano." "A boa notícia é que os custos ambientais de permanecer nesse caminho serão tão altos que o problema terá de ser enfrentado coletivamente, por governos e a sociedade como um todo", afirma. "Vai chegar um momento em que esses padrões de vida terão de ser alterados, e não haverá escapatória."
Com as informações: BBC News.

Ministério da Saude do Brasil reconhece a alimentação vegana como Saudável

Mais um passo rumo à quebra de preconceitos! O Ministério da Saúde acaba de lançar a nova versão do Guia Alimentar Para a População Brasileira e, pela primeira vez, reconhece a alimentação vegana como uma opção saudável.

Com base em pesquisas oficiais, a publicação mudou completamente o tom de sua última versão, impressa em 2006, e trata de forma natural a dieta que não inclui alimentos de origem animal. Segundo o guia, o consumo de carnes, laticínios e ovos não é necessário para se ter uma alimentação saudável.

“No entanto A restrição de qualquer alimento na dieta obriga que se tenha maior atenção na escolha da combinação dos demais alimentos que farão parte da alimentação. Quanto mais restrições, maior a necessidade de atenção e, eventualmente, do acompanhamento por um nutricionista”, alerta o guia.

A publicação ainda recomenda a diminuição do consumo de carne para evitar problemas de saúde – como obesidade e doenças do coração e o Câncer e, também, para diminuir a pressão sobre o meio ambiente. “A diminuição da demanda por alimentos de origem animal reduz notavelmente as emissões de gases de efeito estufa responsáveis 

pelo aquecimento do planeta, além de diminuir o desmatamento decorrente da criação de novas áreas de pastagens e o uso intenso de água”, diz o manual.

O Guia Alimentar Para a População Brasileira será distribuído, gratuitamente, em escolas e hospitais de todo o país. A publicação representa a posição oficial do governo quanto à alimentação dos brasileiros e é usada como referência pelos profissionais da área da saúde entre eles, médicos e nutricionistas.

Veja todos os detalhes do 
Guia Alimentar Para a População Brasileira

Com as informações: The Green Post.

segunda-feira, fevereiro 23, 2015

Para recuperar a mata ciliar Cantareira precisa do replantio de 30 milhões de árvores.

 Condomínios de luxo, loteamentos e fazendas substituem vegetação que garantia infiltração do solo, evitava erosão, contaminação e falta d’ água. BRAGANÇA PAULISTA - Vista do alto, a paisagem é desoladora: veleiros encalhados muito longe de qualquer sinal de água, rampas de píeres terminando em barrancos secos, condomínios luxuosos no meio do nada, represas reduzidas a rios estreitos, o gado pastando na vegetação rasteira de áreas antes submersas. O sonho de ter casa de fim de semana em um cenário espetacular de montanhas e lagos, e praticar esportes náuticos, a 90 km de São Paulo, ou uma fazenda com água abundante para o gado, parece distante do pesadelo dos 8 milhões de moradores da Região Metropolitana que dependem da água do Cantareira.

Mas, segundo especialistas, há uma ligação causal entre a ocupação nos 12 municípios do Cantareira, e destruição da mata ciliar de seus 8.171 km de rios, e o esgotamento do sistema. Choveu menos no último ano, mas, se a mata nativa ainda estivesse lá, os reservatórios poderiam ter mais água - e de melhor qualidade. A chuva não cairia sobre um solo tão seco, com o consequente efeito "esponja". A vegetação funcionaria como uma válvula, controlando a vazão e evitando inundações como a de 2011 - quando as comportas tiveram de ser abertas - e falta de água, como a de agora.

Técnicos da Embrapa Informática e da GV Agro propõem o plantio de 30 milhões de mudas para recompor a mata ciliar em 34 mil hectares, de modo a obedecer a faixa prevista pelo novo Código Florestal - que a reduziu, porque passou a medir a Área de Preservação Permanente (APP) a partir do leito regular do rio, e não mais de sua largura máxima. Para chegar a esses números, eles analisaram as imagens do satélite Rapid Eyes, que registra objetos de no mínimo 5 metros, explica Eduardo Assad, autor da proposta.

A mata ciliar evita o deslocamento do solo, chamado de erosão, seu transporte pelos rios e depósito nos reservatórios, ou assoreamento. Segundo a Sabesp, estudo de 2009 mostrou que não havia assoreamento no Cantareira. A mata ciliar filtra os sedimentos trazidos pelas enxurradas, evitando que poluentes, como os agrotóxicos usados nas fazendas, comprometam a qualidade da água. E mantém a infiltração do solo pela água, que desce para o lençol freático, e aflora novamente. O solo sem vegetação, às vezes compactado por tratores ou pelo pisoteio de animais, deixa a água evaporar.

Orvalho. Entretanto, explica o especialista Antonio Carlos Zuffo, da Unicamp, a vegetação exerce esse papel não tanto na beira dos rios, onde o solo já está encharcado, mas um pouco mais longe, até mesmo nos topos de morros, onde ela também intercepta a umidade trazida pelas nuvens, que condensa na forma de orvalho e desce subterraneamente até as nascentes. Será preciso ir além da mata ciliar. Zuffo propõe, por exemplo, o plantio direto, em vez do arado, como forma de evitar a compactação.

Ricardo Rodrigues, da Esalq, a Escola de Agronomia da USP, acha que não é necessário plantar 30 milhões de mudas. Onde houver vegetação por perto, é possível induzir a regeneração natural. Com base em sua experiência com recomposição de florestas, Rodrigues estima que 50% da área precisaria de plantio total, com custo médio de R$ 9 mil por hectare; 25% se regeneraria sozinha, ao custo de R$ 2 mil/ha.; os restantes 25% requereriam enriquecimento com espécies, o que custa R$ 3 mil/ha. Caberia aos fazendeiros cercar o gado.

Por esse cálculo aproximado, o projeto custaria R$ 195,5 milhões. Bilhões de reais devem ser gastos nas obras de engenharia anunciadas pelo governo. Só a transposição entre as Represas Jaguari, da Bacia do Paraíba do Sul, e Atibainha, do Sistema Cantareira, está estimada em R$ 830,5 milhões. Para Assad e Rodrigues, a recuperação da mata nativa começaria a ter efeitos sobre o Cantareira em cinco anos.

A relação entre a vegetação e as chuvas em regiões de Mata Atlântica, como a do Cantareira, ainda está sendo estudada cientificamente, afirma o climatologista Carlos Nobre. Na Amazônia, já foi provado o efeito da transpiração das árvores. A Sabesp incentiva o plantio de mata nativa no entorno das represas do Cantareira, por empresas que precisam fazer compensação ambiental. A Dersa, por exemplo, plantou 1,13 milhão de mudas em 554 hectares. O governo de São Paulo lançou no mês passado o programa Mata Ciliar, que pretende recuperar 20 mil hectares, com recursos de empreendedores em busca de licença ambiental para obras, ou de proprietários que precisem regularizar sua situação.

Em Bragança Paulista, onde resta apenas 11% de cobertura vegetal, o prefeito Fernão Dias (PT) criou um programa no qual os infratores ambientais regularizam sua situação bancando o plantio de árvores. "Em menos de dois anos, já fizemos mais de 30 mil plantios." O prefeito acha provável que haja resistência dos condomínios e fazendeiros a um eventual programa de desocupação para recomposição da mata ciliar. "Eles perderão boa parte de sua área, mas se trata de um momento emergencial, em que o Brasil não pode manter um benefício individual em detrimento do coletivo."

Fonte: Jornal Estadão

quarta-feira, fevereiro 18, 2015

5 duvidas comuns sobre: Como gerar energia solar em casa?


Com o aumento da conta de luz e crise no setor elétrico a geração de energia solar em residencias e em  empreendimentos comerciais tem atraído cada vez mais as atenções no Brasil. É uma solução limpa de geração de energia é apontada por especialistas, ambientalistas e algumas empresas do setor elétrico como a melhor solução para sairmos desta crise. Produzir a sua própria energia através da microgeração distribuída em  painéis solares que são instalados nos topos de casas, hospitais, escolas, condomínios residenciais ou comerciais. Além de reduzir o consumo, o sistema é conectado à rede, e a produção excedente é vendida para a concessionária local, abatendo seu montante em créditos na sua próxima fatura.
O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,as-empresas-que-estao-de-olho-no-seu-telhado-imp-,1635083
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Qual o meu consumo de energia?
O primeiro passo para escolher o seu sistema é saber qual o seu consumo de energia elétrica em kWh por mês. Se você já vive na casa é bem simples, basta verificar o seu histórico na conta de luz. O ideal é fazer uma média dos últimos 12 meses, pois o consumo pode variar muito de um mês para o outro. Caso se trate de uma casa nova, o ideal é fazer uma estimativa baseada na casa atual com a ajuda do engenheiro ou arquiteto da casa nova. Em último caso, se não houver nenhuma referência, é possível calcular o consumo baseado uso e potência dos equipamentos elétricos que serão utilizados na casa. Por exemplo: uma TV de 100W utilizada 4 horas por dia = 100W x 4h x 30 dias = 12.000 Wh ou 12 kWh por mês)

Quantos painéis serão necessários para minha Casa/Empresa?
Segundo o Engenheiro Pedro Pintão, diretor da empresa Neosolar, especializada em projetos e instalação de sistemas fotovoltaicos, isto depende de uma série de variáveis e até mesmo do tamanho dos painéis escolhidos. Além disso, não é necessário produzir toda a energia consumida. Uma residência com consumo de 500 kWh/mês utilizará cerca de 15 a 20 painéis de 240 Wp ( cerca de 25 a 35 m2) em uma cidade média brasileira, para abastecer 100% de sua necessidade. Caso se decida por produzir apenas 50%, metade dos painéis será suficiente. No caso acima, 100% representaria uma economia anual de até R$ 4 mil. Já existem sites onde você poderá usar de uma “Calculadora Solar”, onde  possível inserir os dados de consumo e tarifas pagas com energia elétrica e saber qual é o tamanho aproximado do sistema fotovoltaico indicado para seu consumo e qual será a economia anual na conta de luz. Projeto e Instalação. Além dos painéis, será necessário um inversor que transforma a energia em 110V ou 220V, estrutura para fixar os painéis e proteções elétricas adequadas. É importante que o projeto e a instalação sejam feitas por profissionais especializados, garantindo a segurança das pessoas e também as garantias oferecias pelos fabricantes de até 25 anos para os painéis.

Qual é o Custo do Sistema?
O custo do sistema depende do seu tamanho e equipamentos selecionados, os quais, por sua vez, dependem da quantidade de energia necessária e das características do local da instalação. Um sistema completo e instalado custa entre R$ 7.000 e R$ 15.000/kWp.

Qual é o Retorno do Investimento?
O interessante é que independente de quanto decidirá por produzir, o consumidor poderá aproveitar toda energia, pois o eventual excesso é convertido em créditos que podem ser utilizados em até 36 meses ou ainda em outra propriedade do mesmo consumidor. No exemplo mencionado acima, com um consumo de 500 kWh/mês, o consumidor terá seu investimento retornado em até 10 anos. Como a garantia dos painéis é de 25 anos, ele ainda terá pelo menos 15 anos de benefícios.


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